Inspecção holandesa investiga médico após três queixas

Investigação a má prática já  decorre há meses. Inspecção holandesa está em articulação com autoridade s portuguesas.

A inspecção da saúde holandesa está a investigar o oftalmologista da clínica da Lagoa há vários meses, confirmou ontem o DN junto daquele organismo. A investigação começou depois de três doentes terem apresentado queixa contra o médico Franciscus Versteeg, que as operou na clínica holandesa Eye-Q-Vision. A instituição está a trabalhar em conjunto com a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e admite suspender o médico, caso considere haver risco para os doentes.

A porta-voz do organismo Inspectie voor de Gezondheidszorg explicou ao DN que a investigação teve início "depois de três doentes terem apresentado queixa contra o médico num curto espaço de tempo, neste caso entre 2008 e 2010", refere.

A clínica em Amstelveen (perto de Amesterdão) especializa-se na colocação de lentes intraoculares. Apesar de o organismo não poder divulgar pormenores sobre as queixas, avançou que se "deveram a problemas de más práticas relacionados com a cirurgia", refere a mesma fonte.

A clínica continua em funcionamento, e o médico, que esteve há dias em Portugal para ser ouvido pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), também continua a trabalhar nesta unidade. "As queixas referem-se apenas ao médico e não à clínica. Se identificarmos irregularidades que não estejam apenas relacionadas com o oftalmologista, então reavaliaremos a situação. Pelo que pudemos apurar, a clínica está a trabalhar de acordo com a regras", avança a mesma fonte.

A investigação decorria à margem da portuguesa, mas o caso dos quatro doentes que desenvolveram uma infecção grave (três ficaram cegos de um olho), dotou-a de novos contornos. "Contactámos a IGAS e o que ficámos a saber é demasiado grave. Vamos decidir se tomamos medidas com base na informação das autoridades portuguesas e da conversa que vamos ter com o médico. Já pedimos uma audiência urgente com ele para nos explicar o que se passou em Portugal e como tenciona agir para evitar que estas situações se repitam."

A decisão "depende do que viermos a saber. Na pior das hipóteses, podemos suspender o seu exercício como médico". Já em 2004, a instituição investigou a clínica da Holanda, na sequência de uma queixa de um doente operado em Portugal. "Mas não encontrámos nenhuma inconformidade cá. Agora, essa queixa e as que surgiram nas duas clínicas recentemente levaram- -nos a abrir novo inquérito". Também a Sociedade Holandesa de Oftalmologia está a investigar as habilitações do médico.

O DN tentou contactar Franciscus Versteeg durante o dia de ontem, mas sem sucesso. No entanto, a televisão RTL publicou na sua página online uma reacção do médico aos processos. Em relação à situação na Holanda, referiu que "tinha a situação controlada em Maio", mas desde então não voltou "a ser contactado". Avançou ainda que aguarda "os resultados da investigação com confiança". Já em relação ao caso português, avança que desconhece a origem das bactérias que lesaram os doentes.

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