Grupos radicais anarquistas fizeram emboscada à polícia

CGTP também tinha informação de que os anarquistas podiam causar distúrbios na manifestação, mas foram controlados.

Elementos ligados a grupos anarquistas atraíram ontem a polícia para a Travessa da Boa Hora, no centro de Lisboa, através de um telefonema feito para a PSP, alegando excesso de ruído, para agredir os agentes, assim que chegaram, com pedras e garrafas. Eram cerca de 50 indivíduos e o grau de confrontação com a polícia atingiu níveis muito violentos, com agressões físicas mútuas, bastonadas e luta corpo a corpo. Foi uma autêntica batalha campal.

A PSP, que tinha enviado para o local um carro-patrulha e foi depois reforçada por duas equipas de intervenção rápida, acabou por levar a melhor. Fez cinco detenções, quatro homens e uma mulher, com 38, 28, 24, 28 e 28 anos, respectivamente. Já na esquadra constataram que já estavam referenciados pela polícia como próximos destes grupos anarquistas, libertários e anarco-sindicalistas.

A confirmar-se que se tratou, de facto, de um acto planeado para emboscar a polícia, significa, no entender de especialistas em violência urbana, que estes grupos estão a tornar-se mais organizados e, por isso, mais perigosos.

"Chama-se a isto guerrilha urbana", diz, sem hesitar, José Manuel Anes, presidente do Obser-vatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT). "Estes grupos são uma ameaça à segurança, particularmente nesta época, de crise económica e social. Apesar de poucos, são perigosos, violentos e estão sempre prontos a aproveitar-se de situações de confronto com as autoridades e ajuntamentos, para lançarem a confusão e a desordem", afiança o dirigente do OSCOT. Para este especialista em segurança, "devem ser vigiados e reprimidos enquanto o grupo ainda tem uma dimensão controlável". O Serviço de Informações e Segurança (SIS) estima serem na casa da centena os elementos mais activos.

Segundo fonte policial, este episódio foi o culminar de um a espécie de jogo de "gato e rato" que tinha durado todo o dia. A começar na manifestação da CGTP. A própria organização da manif tinha conhecimento que podiam haver elementos anarquistas a tentar infiltrar-se no desfile para provocar distúrbios.

Fonte oficial da CGTP confirmou ao DN que quer "a organização da manifestação quer a PSP detectaram na Internet apelos destes grupos para irem ao desfile. Foram detectados cerca de 30 e, para evitar que houvesse problemas, a organização, tal como a própria polícia, tinha-os controlados".

No entanto, terminada a manifestação, que, como sublinha a fonte sindicalista, "apesar de ter reunido gente de várias sensibilidades políticas, correu sem incidentes", estes anarquistas foram de novo detectados numa situação de desordem pública na Rua das Portas de Santo Antão.

Tudo começou com uma "simples" rixa entre dois homens alegadamente alcoolizados. A PSP foi chamada e a sua actuação terá desagradado a algumas dezenas de pessoas, que assistiam à cena e começaram a insultar e a cercar os dois polícias que tentavam algemar os homens. Segundo contou ao DN uma testemunha, quando os reforços policiais chegaram e se geraram confrontos, viram-se panfletos anarquistas pelo ar. A PSP não acredita que tivessem estado na origem da situação, mas está convicta de que os anarquistas acabaram por contribuir para a escalada de violência.

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