Famílias que perderam casas precisam de um milhão

As famílias que perderam habitações durante os incêndios de julho no Algarve precisarão de pelo menos 1 milhão de euros para reconstruir as suas casas, de acordo com os presidentes das câmaras de Tavira e São Brás de Alportel.

As indemnizações às famílias desalojadas deverão começar a ser atribuídas já em setembro, ao abrigo de contratos locais de desenvolvimento social (CLDS) celebrados entre instituições de solidariedade social dos dois concelhos e o Governo, com o apoio das autarquias.

No concelho de Tavira, perderam-se seis habitações permanentes, o que afetou cerca de 40 pessoas. Os custos de reparação ou reconstrução total daquelas casas será, no mínimo, de 300 mil euros, mas poderá ter que ser superior, segundo disse à Lusa o presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho.

De acordo com o levantamento da Câmara, àquelas seis habitações permanentes juntam-se outras 12 casas de férias também danificadas ou destruídas, com prejuízos que -- depois de descontados os valores a pagar pelos seguros - atingem os 500 mil euros, mas, por se tratar de habitações não permanentes, não beneficiam de qualquer ajuda do Governo.

Já no concelho de São Brás de Alportel as ajudas deverão atingir os 530 mil euros constantes do levantamento da autarquia, referentes a oito habitações completamente perdidas e 14 parcialmente destruídas pelo fogo. Foram afetadas 188 pessoas.

A essa verba junta-se 131 mil euros perdidos de anexos adjacentes, disse à Lusa o presidente da Câmara local, António Eusébio.

As perdas de 473 mil euros em anexos complementares no concelho de São Brás -- a maior parte em máquinas agrícolas e produção florestal e agrícola armazenada - não são elegíveis pelos CLDS, embora os seus proprietários possam vir a receber ajudas do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).

"s perdas de construções juntam-se vários milhões de euros em perdas de floresta, num balanço que brevemente será objeto de um relatório da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPA).

"Se tirássemos toda a cortiça dos sobreiros que arderam num só ano, teríamos 13 milhões de euros de produção", adiantou António Eusébio, enquanto o seu colega de Tavira garante que um primeiro levantamento autárquico da área florestal ardida apontava para 12 milhões de euros de prejuízos.

Além das ajudas à reflorestação, o PRODER poderá atribuir alguns subsídios por perdas florestais, que poderão ser majoradas devido à situação de catástrofe em que se verificaram as perdas, disse entretanto à Lusa fonte da DRAPA. Os pedidos de apoio a Bruxelas foram enviados logo a seguir aos incêndios, adiantou.

O presidente da Câmara de Tavira disse ainda que as 65 famílias afetadas -- num total de 228 pessoas - têm direito a um subsídio complementar de sobrevivência, que já foi requerido, e deverá atingir os 120 euros mensais por pessoa.

Entretanto, na sexta-feira, esses subsídios de compensação começaram a ser pagos a 41 famílias, revelou o secretário de Estado da Segurança Social, acrescentando que outros 24 agregados deverão receber brevemente este apoio.

"Felizmente, não houve situações de carência alimentar ou de subsistência, devido ao apoio familiar que logo se fez sentir para com os afetados, mas temos pressa em resolver este assunto e devolver as casas às pessoas", disse Jorge Botelho, que continua a acreditar que em setembro já haverá obras no terreno.

No caso de São Brás, a autarquia tem ajudado "a resolver os casos mais simples, cedendo materiais", de acordo com António Eusébio.

No princípio do mês, o secretário de Estado da Segurança Social anunciou um reforço aos 600 mil euros inicialmente previstos para recuperação de habitações perdidas ou danificadas, embora sem adiantar uma verba definitiva.

O grande incêndio que deflagrou no Algarve entre 18 e 21 de julho destruiu 20 mil hectares de mato e floresta no concelho de Tavira e 7 mil hectares no concelho vizinho de São Brás de Alportel.

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