Doentes chegam tarde a hospital e aumenta mortalidade

A maioria dos novos doentes com VIH/Sida seguidos em dois anos no Hospital Amadora-Sintra foi diagnosticada tardiamente, o que conduziu a uma mortalidade de 10 por cento, quando "já não se devia morrer de sida em Portugal", segundo uma especialista.

revelou que nos anos de 2009 e 2010 deram entrada nesta unidade 490 novos doentes, a quem foi diagnosticado o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), sendo que a 57 por cento isso aconteceu "tardiamente".

"Estamos a diagnosticar muito tardiamente" porque "o diagnóstico não está a ser feito de forma precoce e atempada", disse a especialista.

Para Patrícia Pacheco, este atraso leva a que os doentes cheguem ao hospital com doenças oportunistas e associadas à sida, no diagnóstico e tratamento das quais é confirmada a existência do vírus e até da sida.

Um dos resultados deste atraso é "uma elevada mortalidade: dez por cento dos novos doentes morreram, quando atualmente ninguém devia morrer de sida, uma vez que temos terapêuticas muito avançadas".

Estes dados preocuparam de tal forma os profissionais do Hospital Fernando Fonseca que a instituição decidiu criar um grupo com responsáveis dos centros de saúde dos concelhos a que o hospital pertence para definir ações.

"Não quisemos ficar à espera e continuar a observar a situação", disse.

O resultado é um projeto de intervenção regional com o objetivo de aumentar o diagnóstico precoce da infeção VIH/Sida ("Todos Nós VIH"), que pretende diminuir a mortalidade e morbilidade associada a esta doença, através da sensibilização dos profissionais de saúde e utentes relativamente à importância do diagnóstico precoce da infeção.

O projeto arranca hoje, com uma das três ações de formação dirigidas aos profissionais de saúde dos agrupamentos de centros de saúde da área Amadora-Sintra, sobre o tema "Diagnosticar mais e mais cedo".

No próximo mês será implementada uma campanha de informação destinada à população em geral e aos utentes dos serviços de saúde para alertar para a necessidade de efetuar o teste de rastreio VIH, mesmo que se considere não haver comportamentos de risco.

Em 2012 deverá ainda arrancar um estudo epidemiológico nestes concelhos relativamente à infeção VIH/SIDA e a criação de um gabinete de rastreio, aberto ao público em geral, no hospital, com disponibilização de testes rápidos de VIH.

Este estudo epidemiológico é, para Patrícia Pacheco, fundamental, pois os profissionais deparam-se com a necessidade de conhecer melhor os doentes e, fundamentalmente, os comportamentos associados à infeção.

O que é sabido é que a população servida pelo Hospital Fernando Fonseca é caracterizada por algumas dificuldades e barreiras culturais que "dificultam os acessos aos cuidados médicos".

Para já, dos 490 novos doentes atendidos em 2009 e 2010, a grande maioria (80 por cento) tinha entre os 30 e os 64 anos.

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