Defesa de jovem que esfaqueou colegas quer mais perícias

A defesa do jovem que esfaqueou quatro pessoas numa escola em Massamá, Sintra, quando pretendia imitar um massacre, requereu hoje ao tribunal a realização de uma perícia médico-legal e de uma nova perícia à personalidade do menor.

Após o fim da segunda sessão do julgamento, que decorre à porta fechada, o advogado do jovem - hoje com 16 anos, mas que à data dos factos tinha 15 anos - disse à agência Lusa que pediu ao Tribunal de Família e Menores de Sintra que autorize as duas perícias.

"Uma perícia médico-legal e uma nova perícia à personalidade do jovem, mas desta vez que seja feita por um pedopsiquiatra e não pelo psiquiatra que trabalha no centro educativo. Agora é aguardar que o tribunal se pronuncie e decida sobre estes dois requerimentos", explicou Pedro Proença.

O advogado informou ainda que o caso tem um novo procurador do Ministério Público, acrescentando que o tribunal "não deu uma justificação para a substituição" do anterior magistrado.

A próxima audiência ficou agendada para as 10:00 de 21 janeiro, sessão que deve contar com a inquirição dos pais do menor.

Segundo o despacho de promoção judicial do Ministério Público (MP), o jovem é suspeito da prática dos crimes de terrorismo, de tentativa de homicídio, ofensas à integridade física e posse de arma ilegal. O MP pede como "medida definitiva o internamento em regime fechado durante 30 meses".

Na primeira sessão do julgamento, que decorreu a 07 de janeiro, o tribunal decidiu prolongar a medida cautelar de internamento num centro educativo, que terminava a 30 de janeiro, por mais 30 dias.

Nesse dia, o Tribunal de Família e Menores de Sintra justificou a decisão de julgar o caso à porta fechada com a "salvaguarda da imagem, do estado psíquico e a genuidade do comportamento do jovem, atendendo à especificidade dos crimes que lhe estão imputados e ao grande alarme social que os mesmos provocaram na comunidade em geral".

A 14 de outubro, o jovem, com duas facas de cozinha e um 'spray' de gás pimenta na mochila, segundo a PSP, terá feito explodir um 'very light' num dos pavilhões da Escola Secundária Stuart Carvalhais, provocando a saída dos alunos das aulas e começando a esfaqueá-los.

Na ocasião, fonte policial adiantou à agência Lusa que o jovem, que acabou por esfaquear três colegas e uma funcionária, pretendia "imitar um massacre e matar, pelo menos, 60 pessoas", de acordo com uma folha A4 que se encontrava na mochila do menor quando este foi detido.

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