De primeiro-ministroa vereador autárquico

Todos os indicadores que o 'staff' de Santana tinha apontavam para resultados muito próximos de António Costa. A esperança demorou a desaparecer

Quando Santana Lopes disse um dia que ia "andar por aí" podia não estar a pensar propriamente em "andar" pela Câmara Municipal noutra posição que não fosse a de presidente. Ontem, porém, contrariando os sinais que foi dando ao longo da campanha, admitiu a possibilidade de assumir as funções de vereador, depois de ter reconhecido a derrota eleitoral.

"Vou ponderar se vou ou não exercer o cargo de vereador. Não quero decidir a quente, mas a minha inclinação é para vir a assumir essas funções", declarou Pedro Santana Lopes, que já dirigiu a autarquia de onde saiu para S. Bento, como primeiro-ministro.

O líder da candidatura "Lisboa com Sentido" sublinhou que, da análise feita aos resultados, foi constatado que, afinal, a esquerda não estava tão separada como fazia querer. "A diferença de votos da CDU das assembleias de freguesia para a câmara municipal mostra que a CDU teve um papel decisivo na vitória de António Costa", explicou. À hora em que fez o discurso, cerca de 15 minutos depois da meia-noite, Santana ainda tinha esperança que Manuel Falcão viesse a ser presidente da Assembleia Municipal. Faltavam quatro freguesias por apurar e estava em aberto a possibilidade de Costa atingir a maioria absoluta, com nove mandatos e a coligação de Santana, sete, ou oito para cada um.

O feroz ataque de Santana foi mesmo para as empresas de sondagens. Apelou ao Presidente da República, ao Governo e à Assembleia da República, para acabarem com aquilo que considera ser "inaceitável" e uma "vergonha", pela "manipulação repetida do livre jogo democrático".

Desde que chegou à sede, perto das 18.30 horas, Santana foi o optimista de serviço. Andava dum lado para o outro, mãos nos bolsos, enquanto olhava para as três tele-visões. Qualquer gesto, qualquer movimento de rosto era captado pelas dezenas de jornalistas que cercavam o pequeno espaço da sede onde estava com a sua equipa.

Um escritório ali perto, na praça do Príncipe Real, acabou por ser o seu refúgio, mas cada vez que saía da sede era perseguido por um batalhão de câmaras e microfones. "Vá lá, deixem-me lá ir sozinho, eu não fujo", suplicava. Nada feito.

À medida que as horas iam passando e os resultados confirmavam as primeiras previsões, era de Santana que se ouviam as palavras de ânimo aos apoiantes . "Calma, ainda faltam freguesias importantes", dizia. Não conseguia, porém, manter-se parado. Sentava-se num dos cantos, trocava palavras com o seu mandatário Bacelar Gouveia, tornava a levantar-se. O "menino guerreiro'" vai andar por aí?

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