Criminosos usam população como 'escudo humano'

O bairro da Bela Vista está a mostrar uma realidade comum a outras zonas de risco. Uma minoria de criminosos, no caso cerca de 50, segundo a polícia, faz 'refém' toda uma população. A PSP estima que 70% dos crimes violentos da Grande Lisboa são praticados por residentes destes bairros. PJ, SIS, GNR e PSP estão a trabalhar juntas para travar estes gangues.

Cerca de 70% da criminalidade mais grave da área da Grande Lisboa foi praticada por residentes dos bairros problemáticos. A estimativa é da PSP e revela uma realidade complexa e difícil de conhecer a fundo. Os criminosos são uma minoria - há fontes que falam em milhares, outras garantem que não ultrapassam os mil - , pouco mais de 1% da população global destas zonas urbanas sensíveis, mas conseguem condicionar e estigmatizar todos.

Mais grave do que isso é o facto de, segundo fontes ligadas à investigação criminal, quer da PSP quer da GNR, estarem referenciados casos de residentes obrigados a colaborarem com os criminosos, sob ameaça de agressão e morte. "Exigem que lhes guardem as armas e a droga para que, quando fazemos rusgas não as encontremos com eles, o que acontece muitas vezes", explica um elemento da PSP.

Não há denúncias, "porque as pessoas têm medo das represálias e estes residentes acabam por funcionar como autênticos 'escudos humanos', acrescenta um oficial da GNR que tem intervenção em zonas de risco.

Na Bela Vista, por exemplo, numa população de 7000 habitantes, os criminosos activos são meia centena. Mas suficientes para criarem o terror e a insegurança em todo o bairro, como se viu nos últimos dias. Segundo as forças de segurança, estes bairros são o 'quartel-general' da maior parte dos gangues criminosos que actuam por todo o País.

Não há números determinados destes grupos, embora essa seja uma matéria em estudo e análise por parte das equipas mistas (PSP, GNR, PJ e SIS) criadas no âmbito do gabinete do secretário-geral de Segurança Interna, Mário Mendes.

Estes 'gangues' são extremamente heterogéneos, quer na sua composição quer nos seus alvos. Alguns não são só dos bairros, tendo apenas dois ou três elementos. Outros reúnem gente de vários bairros. Uns dedicam-se aos roubos, outros ao tráfico de droga, outros aos negócios da noite, incluindo tráfico de armas , de droga também, e lenocínio. Mas o mais comum e o que mais afecta o tecido social destas zonas é o tráfico de droga.

O papel do 'Super-polícia' torna-se aqui essencial para garantir a troca de informações entre as forças de segurança e entre estas e as 'secretas'. Ao que o DN apurou junto de elementos que estão a acompanhar estas análises, esta colaboração "está mais estreita que nunca" desde que Mário Mendes assumiu o cargo. Até aqui, cada um tinha uma visão parcelar da realidade da sua 'zona' e agora começa-se a ter uma ideia de conjunto. A má notícia é que ela é assustadora.

PSP, GNR, PJ e SIS estão a trabalhar mais perto que nunca uns com os outros.Em Setúbal, apesar de ser apenas a PSP a comandar as operações, quer a PJ quer o SIS estão a colaborar na troca de informações para identificação dos autores dos crimes de motim, agressões e tiros.

O SIS, conforme noticiou ontem o DN, está a monitorizar a possível presença de activistas radicais que tentem aproveitar para incentivar à desordem generalizada no bairro. O antigo bispo de Setúbal. D. Manuel Martins, já alertou para o perigo de "sublevações de uma população carenciada, sensível à crise e ao aumento do desemprego".

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