Coveiros fazem greve dia 22 de Setembro

Os coveiros dos cemitérios de Setúbal vão fazer uma greve de uma hora dia 22 de Setembro contra alegadas "irregularidades nos horários de trabalho", mas para a Câmara Municipal trata-se de um "protesto contra a redução do trabalho extraordinário".

"O protesto dos coveiros começou na sequência de uma reorganização dos horários de serviço (...), o que permite à autarquia manter os cemitérios abertos com menos pessoal", disse à Lusa José Lança, da direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local. "Há trabalhadores que estiveram em laboração 21 dias consecutivos, sem folgas", acrescentou o sindicalista, adiantando que a principal reivindicação dos coveiros é a "reposição dos antigos horários de trabalho (9:00/12:30 e 14:00/17:30), com folga aos sábados e domingos". José Lança referiu ainda que os "novos horários impedem os trabalhadores de terem a sua vida particular, porque têm de trabalhar sábados e domingos, com horários desfasados e sem as devidas compensações".

Confrontado com as acusações do STAL, o vereador com o pelouro dos cemitérios, Manuel Pisco, admitiu que houve um coveiro que trabalhou 21 dias consecutivos, mas garantiu que esse horário não lhe foi imposto e que se tratou apenas de uma situação pontual, para assegurar o serviço durante as férias de outros trabalhadores. Manuel Pisco mostrou-se igualmente convicto de que o protesto dos coveiros resulta fundamentalmente de uma redução do trabalho extraordinário que estavam habituados a fazer e que se traduziu numa quebra de rendimentos. "Reconheço aquelas pessoas todo o direito de ganharem mais, porque são pessoas do mais baixo nível salarial da Função Pública. Têm vencimentos à volta dos 400 euros. Se sentem que ganham pouco, têm toda a razão. E quererem ganhar mais é perfeitamente legítimo. Eu aceito perfeitamente o fundo da questão", disse.

"Mas nós, na gestão da câmara, dos serviços públicos da administração local ou central, temos a obrigação de gerir no quadro das modalidades de organização de trabalho que estão legalmente previstas e que têm um custo determinado. Não podemos é estar a pagar horas extraordinárias a mais, que não deveriam ser pagas", frisou. De acordo com o autarca, os coveiros faziam habitualmente cerca de 28 horas de trabalho extraordinário por mês, mas, com a redução decorrente dos novos horários que se aplicam aos serviços que funcionam de segunda-feira a domingo, "passaram a fazer apenas cerca de 14 horas mensais". "É claro que isso representa uma quebra significativa para trabalhadores com baixos salários", admitiu o autarca, reafirmando que a autarquia não pode estar a pagar trabalho extraordinário que não estão previsto na legislação em vigor.

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