Correia de Campos: "O IPO não é de Lisboa, é de todos os doentes da zona sul"

O ex-ministro da Saúde Correia de Campos disse hoje que a vontade de transferir o IPO de Lisboa esbarrou na bandeira política dos candidatos à liderança da autarquia lisboeta que, em uníssono, defenderam a manutenção do instituto na capital.

"O IPO não é de Lisboa, é dos doentes e de todos os doentes da zona sul do país", disse à Lusa Correia de Campos a propósito da notícia hoje divulgada pela Agência Lusa de que este Instituto Português de Oncologia vai manter-se em Palhavã.

Em 2006, Correia de Campos, então ministro da Saúde, anunciou a transferência deste IPO. Eram vários os locais que poderiam acolher o instituto, nomeadamente em Oeiras, a "melhor solução" para o agora eurodeputado.

Hoje, Correia de Campos acredita que o facto de se terem registado eleições municipais, em 2007, e de todos os candidatos se baterem pela continuidade do IPO em Lisboa contribuiu para que esse não tivesse deixado a capital.

"Todos os candidatos disseram que não queriam deixar sair o IPO de Lisboa, o que para mim foi uma decisão errada", afirmou.

Sobre a hipótese deste ser transferido para a Bela Vista, em Lisboa, Correia de Campos disse que, numa primeira fase, esta foi uma "óptima solução", que garantia 7,5 hectares, os quais permitiriam a construção de um complexo oncológico, que incluía a vertente hospitalar, científica e social.

Uma nova solução mais recente apontava para uma outra localização, ainda que no parque da Bela Vista, mas junto aos acessos à terceira via ferroviária, que inviabilizava o projecto inicial.

"Tentei, fiz os possíveis", disse o ex-ministro, para quem o projecto do seu Ministério da Saúde não era demasiado ambicioso.

"É uma ambição ajustada às necessidades dos doentes oncológicos, o país é que se revelou um pouco mais mesquinho", afirmou.

Sobre a decisão de Ana Jorge de investir 45 milhões de euros em obras nas actuais instalações do IPO, Correia de Campos congratulou-se por a tutela ter tomado uma opção, uma vez que a actual situação é "insustentável".

Correia de Campos considera, no entanto, que este montante não é suficiente para resolver o problema a longo prazo, embora reconheça que o mesmo permitirá a curto e médio prazo dar "dignidade" aos doentes e profissionais da instituição.

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