Concessionários criticam obras do Costa Polis

As frentes de praia da Costa de Caparica, em Almada, foram alvo de uma requalificação mas as alterações não agradam aos concessionários, que consideram que as mudanças "não trouxeram nada de bom".

António Ramos, mais conhecido como o "Barbas", disse à Lusa que as pessoas que vão para a Costa não procuram os estabelecimentos comerciais e refere que as obras serviram só para retirar pessoas do local.

"Esta obra do Costa Polis não veio trazer nada, mas sim retirar pessoas, pois estrangularam o trânsito, os parques são a pagar e terminaram com o comboio aqui na vila que sempre existiu e era muito procurado. Não há transportes públicos dignos para as pessoas virem para a Costa e os estabelecimentos construídos não são o que apregoam, pois ainda não terminou a obra e já estão deteriorados", afirmou o empresário.

O proprietário criticou a recente decisão da Costa Pois de não autorizar a colocação de uma caixa ATM no local, obrigando a um abaixo-assinado dos residentes.

"Não temos um multibanco e a Costa Polis não autorizou, mas a caixa mais próxima está a quase um quilómetro. Fizeram 27 estabelecimentos, mas se fizessem dez com alguma dignidade seria muito mais importante, pois ninguém gosta disto. Não podemos pôr uma cadeira para as pessoas apanharem sol e qual é a praia no mundo onde não se podem pôr esplanadas?" - questionou.

António Ramos afirmou que as rendas a pagar são "exorbitantes" e lembrou que as concessões são por dez anos, apesar dos investimentos feitos pelos proprietários, referindo mesmo alguns casos insólitos.

"É um caso para rir. A rampa para deficientes da praia do CDS está a um metro da areia, pois falta areia e as pessoas têm que saltar. Tudo está pior e nenhum comerciante está satisfeito. A obra não veio trazer nada de bom", concluiu.

António Neves, presidente da junta de freguesia local, lembrou que dos sete planos de pormenor do Costa Polis, apenas se realizaram dois, referindo que os "investimentos feitos pelos concessionários são muito elevados, os retornos são poucos e a manutenção do edificado tem sido nula".

"Estamos muito preocupados pois já percebemos que a ideia do Ministério é acabar com o Polis da Caparica. Queria ver a Costa de Caparica completamente modificada e tenho quase a certeza que não vamos conseguir. Tudo se encaminha para que o Programa Polis seja trancado, pela menos na forma como estava programado. Estamos parados há dois anos", defendeu.

O autarca referiu que era impossível continuar com a situação que existia antes das obras começarem e espera que os trabalhos sejam continuados.

"A obra trouxe para a Costa uma cara nova. Apesar dos concessionários terem razão nas suas reivindicações, era impossível continuar como estava. Sabemos que não há dinheiro, mas que se pense numa reestruturação do que estava previsto, pois se não se fizer agora nunca mais se faz", concluiu.

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