Beja acusa ANA de criar "obstáculos" à instalação de empresas no aeroporto

O presidente da Câmara de Beja (PS) acusou hoje o Governo e a ANA de criarem "obstáculos" à instalação de empresas aeronáuticas no aeroporto local, o que impede que o desenvolvimento da infraestrutura seja "muitíssimo mais positivo".

Dos primeiros dois anos de atividade do aeroporto de Beja, que se assinalam no sábado, "faço um balanço positivo, embora pudesse ser um balanço muitíssimo mais positivo se os obstáculos e constrangimentos que têm existido à fixação das empresas aeronáuticas tivessem já sido ultrapassados", disse hoje à agência Lusa Jorge Pulido Valente.

Segundo o autarca, há empresas "ansiosas por se instalar" no aeroporto de Beja, mas "não o conseguem fazer, porque, em termos da administração central e da ANA, não se resolvem questões pendentes e que são, muitas vezes, apenas burocráticas".

No caso do projeto da empresa portuguesa Aeromec, que prevê investir 14 milhões de euros num hangar de manutenção de aeronaves, também há "questões de financiamento por parte da banca", frisou.

Mas, no caso da empresa portuguesa Aeroneo, que quer investir 11 milhões de euros numa unidade para desmantelar aviões e valorizar ativos aeronáuticos e "tem financiamento assegurado", o projeto "não avança, porque a ANA leva muito tempo a responder às questões e tem muitas minudências nas propostas de contrato e a situação tem-se vindo a arrastar".

"Os meses vão passando e a ANA acaba por não tomar nenhuma decisão em definitivo e, qualquer dia, os investidores aborrecem-se e vão para outros locais", avisou.

"Devia haver uma atitude proativa do Governo e da ANA para acolher de braços abertos estes investimentos", que são "estruturantes" para o aeroporto, mas "há muitas reuniões, muita burocracia, muitos adiamentos e nada se passa", lamentou.

No aeroporto de Beja, nas áreas da carga aérea e da indústria astronáutica, "as coisas estão bem encaminhadas", mas "é pena que não haja mais dinamismo da parte do Governo e da ANA", disse.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da ANA escusou-se a reagir às acusações de Jorge Pulido Valente, mas disse que a empresa está "firmemente empenhada em demonstrar" que o aeroporto de Beja "pode vir a desempenhar um importante papel no desenvolvimento económico da região e do país, criando riqueza e postos de trabalho".

Segundo o autarca, o balanço dos dois anos do aeroporto, que custou 33 milhões de euros e começou a operar a 13 de abril de 2011, também "poderia ser mais positivo" ao nível do tráfego de passageiros "se não tivéssemos sido apanhados pela crise e investimentos turísticos previstos não tivessem sido suspensos".

No entanto, "em termos de passageiros, a previsão é de um crescimento sustentado a médio prazo e não imediato", disse, referindo que "o mais importante é o futuro" e "falta o Governo desenvolver as linhas previstas no relatório do grupo de trabalho" que definiu uma estratégia para a infraestrutura.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral, Filipe Pombeiro, também fez um balanço "positivo" dos primeiros dois anos do aeroporto, mas referiu que "desejaria que fosse melhor".

"Tem sido o possível na atual conjuntura de crise e tendo em conta que se trata de uma nova infraestrutura", disse Filipe Pombeiro, referindo que deposita "as maiores expetativas" no aeroporto, um projeto que tem vido a "afirmar-se" e "está a começar a dar frutos".

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