Banhistas utilizam praias de Mafra com arribas instáveis

Porto do Barril e Coxos (Mafra) são exemplos de praias que, apesar da afluência de banhistas continuam sem ser balneares, razão pela qual não são contempladas com investimento para resolver a instabilidade das arribas.

No Porto do Barril, o areal pequeno e a instabilidade da arriba, que ameaça cair e donde todos os anos se desprendem blocos rochosos, são preocupações constantes dos autarcas locais, apesar de haver placas a sinalizar o risco.

"O mar é bom, porque as rochas fazem aqui pequenas lagoas e os pais com crianças pequenas normalmente vêm para aqui porque o mar é seguro", explica à agência Lusa Nuno Sardinha, presidente da junta de freguesia da Encarnação, a que pertence a praia.

"Nunca houve problemas, mas pode haver", teme o autarca, devido às "pedras que se vão soltando todos os anos" numa praia que é muito frequentada também por pescadores durante o ano inteiro.

Poucos quilómetros mais a sul, a praia dos Coxos, já na freguesia de Santo Isidoro, é outro dos exemplos de praias onde escasseiam os investimentos na estabilização das arribas e na melhoria dos acessos e das infraestruturas de apoio aos veraneantes por serem consideradas selvagens.

"A praia não era tão frequentada, mas desde há 15 anos, quando entrou em vigor o atual Plano de Ordenamento da Orla Costeira, a costa evoluiu. As pessoas iam muito para Ribeira d'Ilhas [na Ericeira], mas passou a ser praia para o surf, e os veraneantes que procuram o areal, a praia, começaram a vir para a praia dos Coxos", refere Hélder Santos, da freguesia vizinha.

"Como não é balnear, temos diversos problemas", aponta o autarca, cuja junta de freguesia se vê obrigada a pagar quatro meses de salário a um nadador-salvador para garantir a vigilância dos banhistas no mar.

Além da falta de um apoio de praia legalizado, "a falésia é muito arenosa e tem muitas escorrências de água, por isso devia ter obras de consolidação", reclama.

Ambos os autarcas, que desempenham o cargo há vários mandatos, recordam que, desde há mais de uma década, quando entraram para a junta de freguesia que alertam o Ministério do Ambiente para o problema.

Contactada pela Lusa, a tutela não deu quaisquer esclarecimentos.

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