“Acordei com o barulho do meu pássaro que voava”

Habitantes de Lagoa contam ao DN.online o ambiente de pânico sentido durante a madrugada em consequência ao abalo sísmico. Bombeiros receberam dezenas de chamadas no Algarve, mas não se registaram estragos nem acidentes pessoais

“Ouvi um estrondo no vidro da loja e pensei logo tratar-se de barafunda com um assalto ou uma cena de pancadaria. Mas quando senti tudo a tremer, apercebi-me que era um sismo, lembrei-me daquele que ocorreu em 1968 e fugi para a rua por recear que a estrutura deste estabelecimento caísse e surgissem réplicas”. Foi este o relato ao DN.online de António Maia, funcionário de um posto de abastecimento de combustíveis da GALP, junto à EN 125, em Lagoa. Ainda mal refeito do susto, quando já eram 4.00 horas da madrugada, lembrou que “caíram apenas embalagens, nomeadamente de "chiclets" de prateleiras, não se tendo registado estragos”. “Estavam aqui alguns clientes, que ficaram apáticos”, acrescentou António Maia. Depois, chegaram ali outras pessoas provenientes de vários estabelecimentos.

   À porta daquele posto de abastecimento de combustíveis, juntaram-se entretanto outros populares, entre os quais trabalhadores de recolha de lixo. “Eram 1.35 horas, estava a dormir no meu apartamento situado no terceiro andar de um prédio quando acordei com o barulho do meu pássaro (um catunga), que voava e até parecia que se queria matar. Pensei que era um ladrão que tivesse entrado por uma janela, provocando aquela reacção ao animal. Foi tudo muito rápido e fiquei quieto na cama com esta a balouçar”, contou ao DN. Online Jorge Marques, de 47 anos, motorista, que quando se levantou foi logo acalmar o pássaro. “Estava com a minha mulher e a minha filha, que tem 11 anos, agarrou-se a mim. Acabámos por ficar os três na mesma cama. Se houve algum problema, morreríamos juntos”, observou aquele residente em Lagoa.

   Na Área de Serviço da GALP, perto de Lagos, na A22/Via do Infante, a Sul, o funcionário Sérgio Silva, de 30 anos e nacionalidade brasileira, disse ao DN. Online ter “apanhado um dos maiores sustos da minha vida”. “Estava a contar os jornais para devolver quando numa questão de sete a dez segundos, senti toda a loja a tremer, desde garrafas, chávenas e copos até às portas em vidro e cadeiras. Até parecia que estava num elevador. Mas não me apercebi logo que se tratava de um sismo, pois pensava que era um vendaval”, descreveu Sérgio Silva, que telefonou, de imediato, à sua mulher, procurando tranquilizá-la. “Disse-lhe para fugir de casa se houvesse réplicas com intensidade”, referiu aquele imigrante, que se manteve em contacto com o colega do outro lado da estrada, que também não ganhou para o susto quando a loja começou a estremecer.

   Já em Portimão, num bar de "strip-tease" várias garrafas caíram de prateleiras, o mesmo tendo sucedido com chocolates no hipermercado Continente, na altura em que o pessoal estava a fazer a reposição do «stock». Um pouco por toda a região algarvia, os bombeiros receberam dezenas de chamadas de populares, alarmados com o sismo e a perguntar o que fazer em caso de ocorrência de réplicas. Mas não existem informações sobre danos materiais, nem acidentes pessoais. O tremor de terra só espalhou um ambiente de pânico em vários populares, que nalgumas localidades fugiram de casa.

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