6 jovens que torturavam traficantes ficam em preventiva

Seis dos noves jovens detidos pela Polícia Judiciária por suspeita de integrarem grupo criminoso violento que raptava e torturava traficantes de droga vão ficar em prisão preventiva, disse hoje à agência Lusa fonte judicial.

A mesma fonte acrescentou que os restantes três arguidos ficaram sujeitos a apresentações periódicas às autoridades e proibidos de contactar entre si. A Polícia Judiciária anunciou hoje a detenção nove jovens e o desmantelou do grupo criminoso "extremamente violento e perigoso" que raptava traficantes de droga e os torturava com malvadez, enquanto exigia ao telefone um resgate aos familiares e amigos das vítimas. Os jovens, residentes em bairros problemáticos como a Cova da Moura (Amadora), Navegantes (Porto Salvo) e Bela Vista (Setúbal), foram detidos pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo, numa operação de grande envergadura realizada na quinta-feira e que juntou todas as unidades da Judiciária sediadas em Lisboa, supervisionada pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

Pedro Felício, coordenador de investigação criminal da UNCT, adiantou à agência Lusa que os nove detidos, com idades entre os 22 e 26 anos, eram os operacionais de um vasto grupo criminoso de jovens que já está identificado pela Judiciária e que está indiciado por associação criminosa, raptos, roubos, extorsões qualificadas, tráfico de droga, ofensas à integridade física graves e "relevantes actos de tortura". De acordo com a fonte, os detidos organizaram-se numa estrutura criminosa mais numerosa e cometeram pelo menos cinco crimes de rapto, vários de roubo, diversas extorsões, torturas e crimes de ofensa à integridade física qualificada, obtendo por estes métodos "várias centenas de milhares de euros".

Pedro Felício adiantou que este gangue tinha em comum serem "muito jovens e muito perigosos" e que quando actuavam em grupo e armados não se atemorizavam em cometer crimes de grande violência. Os detidos seleccionavam as vítimas entre traficantes de droga em função da capacidade financeira dos familiares e amigos chegados, raptando-os de seguida com recurso a armas de fogo e grande violência e torturando-os com malvadez até obterem benefícios financeiros. As vítimas eram transportadas para diferentes locais de cativeiro, onde eram submetidas a violentas agressões físicas e torturadas com descargas eléctricas (com armas taser), sufocação com sacos plásticos, queimados nas partes íntimas com velas em chamas, sodomizados com bastões e queimados com produtos químicos que eram inflamados.

De acordo com a fonte da PJ, enquanto torturava os raptados, o grupo mantinha contacto telefónico com pessoas próximas das vítimas para estas ouvirem os gritos de sofrimento e não hesitarem no pagamento dos resgates, que podia ser em avultadas quantias em dinheiro ou em droga, que depois era revendida. Os criminosos tinham facilidade em obter informação sobre os traficantes e os esquemas de tráfico em virtude de terem ligações a vários bairros e se moverem bem no meio criminal.

No decorrer da grande operação montada pela Polícia Judiciária, com recurso a vários mandados de busca domiciliária, foram apreendidas armas de fogo, estupefacientes e vários objectos usados na prática dos crimes. Segundo a judiciária, que prossegue as investigações, o grupo é mais vasto e está praticamente todo identificado, sendo composto por outros jovens com "participação diferenciada", como obter armas, guardá-las ou esconder drogas. A fonte referiu alguns dos detidos tinham largo cadastro criminal por crimes como tentativa de homicídio, tráfico de drogas, assaltos à mão armada e agressões a polícias.

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