Sofia Vala Rocha avança com lista e moção ao congresso do PSD

Ex-candidata na lista do PSD à Câmara de Lisboa defende que os mandatos dos sociais-democratas são para honrar

Sofia Vala Rocha, a ex-candidata na lista do PSD à Câmara de Lisboa, que criticou fortemente a gestão de Passos Coelho das eleições autárquicas, vai encabeçar uma lista de militantes da capital ao congresso do partido. Hoje arranca o processo de constituição da mesma.

"Queremos mudar o rumo do PSD/Lisboa e recuperar da situação de 11% em que nos encontramos desde as eleições autárquicas de outubro", afirma ao DN. O processo de constituição da lista vai ser aberto aos militantes, fora do processo habitual de uma lista fechada. "Quem for militante e se rever nas minhas ideias e no meu projeto poderá integrar a lista", diz. Porque "as listas são habitualmente fechadas e muito pouco participadas e isso é um erro".
Só depois de conhecer o rateio para o número de delegados ao congresso para Lisboa - que costumam ser entre 30 a 40- saberá quantos lugar a preencher na lista que vai constituir. "Há muitos militantes que se queixam que não são convidados para nada e, por isso, abrimos a lista à participação de todos. Não será uma lista de amigos."

No mesmo dia que em se realizam as diretas para a presidência do PSD, a 13 de janeiro, e são votados os delegados ao congresso de 16, 17 e 18 de fevereiro, é eleita também a nova liderança concelhia de Lisboa - cujo líder, Mauro Xavier, se demitiu em abril, em colisão com a direção do PSD por causa da estratégia de Passos Coelho nas autárquicas, nomeadamente contra a escolha de Teresa Leal Coelho como cabeça de lista em Lisboa. Sofia Vala Rocha admite ao DN que "está a ponderar" uma lista. Já há um candidato, Paulo Ribeiro. Também é possível a candidatura do atual presidente interino desta estrutura, Rodrigo Gonçalves.

O facto de ter sido uma voz muito crítica, numa entrevista ao DN, contra a candidata do partido a Lisboa, numa lista em que era a 5.ª candidata, e discordante da estratégia autárquica do ainda líder do partido em plena campanha eleitoral, não parece ser um handicap. "Antes pelo contrário! Estive quatro anos na Assembleia Municipal a trabalhar para Lisboa e o que vi foi uma divergência total com o necessitava ser feito. Este passo, o de avançar com uma lista e uma moção ao congresso, é o que tinha de ser dado". Assegura ainda: "O resultado do PSD em Lisboa mostra que eu tinha razão. As pessoas têm vindo a ter comigo a dizer que eu tenho essa responsabilidade de avançar". Sofia Vala Rocha vai apresentar ao congresso a moção "Pelo fim das cadeiras vazias", que defende, entre outras coisas, que "os mandatos dos eleitos do PSD são para exercer e o voto dos cidadãos é para respeitar". Ou seja, quem tiver um mandato "não pode deixar a cadeira vazia". Seja como for, apoia Santana Lopes, dizendo que Rui Rio tem uma "enorme ambiguidade em relação ao PS".

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