Ex-mulher de Sócrates é suspeita de ter recebido quase um milhão de euros

MP indiciou Sofia Fava por fraude fiscal e branqueamento de capitais reclama 191 mil euros em impostos

Entre financiamentos para compra e obras em imóveis, numerário, pagamentos de estadas e viagens, Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, terá recebido quase um milhão de euros do empresário Carlos Santos Silva, que o Ministério Público (MP) considera ser o testa-de-ferro do antigo primeiro-ministro. As suspeitas contra Sofia Fava foram-lhe elencadas a 20 de abril pelo procurador Rosário Teixeira, que a constituiu como arguida no processo Operação Marquês pelos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, reclamando o pagamento de 191 mil euros de impostos (IVA e IRS) em atraso.

De acordo com as suspeitas do MP, já em 2010, com Sócrates como primeiro-ministro, Sofia Fava "viu o seu património ser beneficiado" com a realização de obras na casa da Rua Abade Faria, a mesma que Sócrates - suspeito de corrupção passiva para ato ilícito, fraude fiscal, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais - habitou depois de ter saído do Estabelecimento Prisional de Évora. A indiciação do Ministério Público refere que, após a compra da casa, Sofia Fava recorreu a Carlos Santos Silva para a realização das obras. Este terá indicado a empresa Gigabeira, na qual tem participação, fazendo um orçamento de 300 mil euros. Realizada a empreitada, o pagamento da mesma terá sido feito através da venda de uma casa propriedade de Sofia Fava à Gigabeira pelo preço de 400 mil euros, quando o imóvel estaria avaliado em 290 mil. Ou seja, com o negócio, a ex-mulher de José Sócrates liquidou a dívida e ainda recebeu um montante de cem mil euros.

A investigação sustenta que, no final de 2009, Sofia Fava, Santos Silva e José Sócrates acordaram em fazer chegar à primeira uma quantia de cinco mil euros/mês. Para isso terá sido realizado, em 2009, um contrato de prestação de serviços entre Sofia Fava e a XLM, outra sociedade controlada por Santos Silva. "Tais pagamentos não tinham suporte em qualquer prestação efetiva de serviços por parte de Sofia Fava, que se limitava a receber as quantias conforme as suas necessidades de fundos, razão pela qual veio a receber elevadas quantias com suporte em pretensos adiantamentos sobre prestações futuras", explicou a Fava o procurador Rosário Teixeira, que, entre finais de 2010 a 2014, contabilizou 334 mil euros "sob a designação de honorários".

Já em 2011, Santos Silva terá voltado a figurar no universo financeiro de Sofia Fava ao constituir um depósito a prazo no ex-Banco Espírito Santo no valor de 760 mil euros, o qual serviu como garantia para a ex-mulher de José Sócrates comprar o Monte das Margaridas, em Montemor-o-Novo.

A circulação de dinheiro entre Sócrates-Santos Silva e Sofia Fava terá continuado em 2013 com transferências de forma que a ex-mulher conseguisse pagar a prestação do tal monte no Alentejo. A investigação registou várias transferências, entre os cinco e os dez mil euros, da conta de José Sócrates para a ex-mulher, sendo Fava suspeita de ter feito, em 2012, vários depósitos em numerário na ordem dos 24 mil euros, tendo Santos Silva também transferido 250 mil euros para a conta do seu atual companheiro, Manuel Costa Reis.

No interrogatório de 20 de abril, Sofia Fava decidiu não prestar declarações. Contactado pelo DN, o seu advogado, Paulo Sá e Cunha, afirmou estar ainda a estudar os autos para tomar uma posição. No processo, o Ministério Público continua a pedir a vários bancos informações sobre contas bancárias de arguidos e outros suspeitos.

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