Sócrates: PS está a "favorecer Marcelo"

Ex-primeiro-ministro falou de política, algo de que "já tinha saudades". Quanto ao processo em que é acusado, disse que neste momento não sabe quanto ainda deve ao amigo Carlos Santos Silva

"Então vamos a isso, já tinha saudades de falar de política." Foi este o desabafo, ontem à noite, de José Sócrates, quando chegou à última parte da sua entrevista na TVI - uma entrevista difundida em dois dias, a primeira na segunda-feira e a segunda ontem à noite.

Mais uma vez, como na primeira parte de segunda-feira, Sócrates tinha um recado para a direção de António Costa: não compreende que o partido não tenha uma posição nas presidenciais - embora ele próprio tenha admitido que não sabe em quem vai votar ("isso veremos, é um problema"), só sabe que não votará em Marcelo.

Para o principal arguido da "Operação Marquês", é muito simples: o PS ao "ficar de fora [está] objetivamente a favorecer a candidatura de Marcelo". E portanto já deveria ter feito uma escolha - sendo que, como recordou, sempre o fez. "O PS devia pensar bem nisso", disse, recordando que ele próprio, em 2011, apoiou Manuel Alegre, quando havia pessoas que lhe aconselhavam "distância".

A política ocupou a parte final da entrevista e antes dasp residenciais Sócrates falou da solução política em que agora o PS se baseia para governar com apoio maioritário. Com um soundbite à medida respondeu a Paulo Portas: "[António Costa] não é primeiro-ministro, vírgula. É primeiro-ministro, ponto final." E quanto ao diálogo às esquerdas é algo que vê "com agrado", embora não querendo comentar demasiado ("nunca fui um condutor do banco detrás"). Enfim: "Eu gosto deste Governo."

Tem de pagar o funeral do irmão?

Sobre a parte da sua "vida faustosa" (expressão do próprio Sócrates) e do dinheiro que recebeu do seu amigo Carlos Santos Silva - uma pessoa "decente" e "bondosa" com "meios de fortuna" que é o seu "melhor amigo fora da política" há 40 anos e com quem passa férias há 20 - Sócrates revelou que ainda "quer falar com ele" (embora o processo não o autorize). Porquê? "Para saber quanto lhe devo ainda." É que, acrescentou o ex-primeiro-ministro, na verdade já lhe pagou 250 mil euros. Mas as contas não estão completamente saldadas. Aqui Sócrates foi ao ponto de admitir que o funeral do seu irmão, António Pinto de Sousa (morreu em agosto de 2011) foi pago por Santos Silva. E há uma dúvida: "Preciso de saber se meto isso nas contas ou não".

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