Só há 18 escolas privadas a mais de 15 km das públicas

Dos 94 colégios com cortes nos apoios, 20 têm uma alternativa do Estado do mesmo grau de ensino a menos de 1 km.

Só 18 escolas privadas, das 94 com contrato de associação com o Estado, ficam a mais de 15 quilómetros de uma pública com o mesmo grau de ensino. O levantamento feito pelo DN, recorrendo às listas de escolas públicas e privadas fornecidas pelo Ministério da Educação e à aplicação Google Maps para medir distâncias, mostram também que cerca de 20 estabelecimentos privados ficam até a menos de um quilómetro dos seus equivalentes no público.

Ou seja, estas instituições - que protestam contra os cortes do financiamento público alegando a falta de alternativas estatais nas suas regiões - ficam afinal perto de muitas escolas públicas. Apenas menos de 20 surgem como a única alternativa num raio de 15 quilómetros no mesmo concelho.

É em Lamego, Viseu, que fica a privada mais isolada do País - a escola básica e secundária mais perto fica a... 25 quilómetros. Já em Vila Praia de Âncora, Caminha, são apenas sete os metros que separam a Cooperativa de Ensino ANCORENSIS da Escola Básica do Vale do Âncora.

José Canavarro, ex-secretário de Estado da Educação, admite que "é preciso repensar a rede", criada há 30 anos quando a oferta pública era insuficiente e o Estado delegou no sector privado, através de contratos de associação, a educação das crianças dessas regiões. E lembra que, em alguns casos, mesmo existindo escolas públicas, estas possam não ter vagas para acolher mais alunos.

Estes colégios prestam "um serviço ao Estado", pelo que têm de ser "bem" tratados, defende o professor universitário. O que, critica, não tem sido feito pela tutela no processo de cortes dos financiamentos. "Há que dar tempo às escolas para se reconverterem em privadas ou encontrar outras soluções caso a caso", sugere.

O Ministério da Educação (ME) cortou, em Janeiro, o financiamento destas escolas de 114 mil euros para 90 mil euros por turma/ano. Verba que vai descer ainda dez mil euros no próximo ano lectivo. As direcções das escolas privadas, os pais e professores estão contra estes valores, considerando-os insuficientes para manter as escolas abertas.

Os protestos têm-se multiplicado (ver texto em baixo), mas o ME defende que os valores são equivalentes aos gastos pelas escolas públicas e que nenhum colégio terá de fechar por causa dos cortes. "Poderá haver ajustamentos de rede", admitiu a ministra Isabel Alçada, lembrando que a oferta privada tem de ser ajustada às actuais necessidades de ensino.

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