Sindicatos dizem haver razões políticas para demitir Grancho

A Fenprof defendeu hoje que havia razões políticas "de sobra" para a demissão do secretário de Estado João Grancho, lamentando que aconteça por motivos pessoais, mas os diretores entendem que as escolas perderam o "elo de ligação" ao ministério.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, defendeu que havia razões de ordem política "de sobra" para justificar a saída do Governo do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, sublinhando que a ele ficam associadas medidas muito contestadas, como a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC) dos professores ou as restrições na educação especial "que levaram muitos pais a protestar para a porta do ministério".

"Havia mais do que razões políticas para a demissão. Independentemente dos motivos, esta equipa ministerial cada dia que passa, é um dia a mais. É uma equipa a esboroar-se aos poucos, descredibilizada e desacreditada aos olhos do país", defendeu Mário Nogueira.

A Federação Nacional de Educação (FNE) preferiu não fazer qualquer comentário à demissão.

Já os diretores escolares, que tinham em João Grancho o principal interlocutor do lado do Ministério da Educação e Ciência (MEC), consideraram que há "apreensão e surpresa" com a demissão do secretário de Estado.

"Na equipa ministerial era a pessoa que estava mais próxima das escolas e que melhor conhecia as escolas, a sua realidade, era quem melhor sentia as escolas. Era também uma pessoa muito disponível. Do ponto de vista das escolas, ele era um dos elos mais fortes", disse à Lusa Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE).

Para Manuel Pereira, o MEC "fica muito fragilizado numa altura em que os problemas são públicos".

Também Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), entende que "esta demissão, nesta altura, pode não trazer tranquilidade às escolas e ser mais uma acha para a fogueira".

"Tudo depende de como o ministro gerir a situação, mas não são boas notícias. Acho que estamos todos surpreendidos", declarou, sublinhando ainda a grande proximidade que as escolas tinham com João Grancho.

Filinto Lima não deixou de referir que nesta altura os diretores não esperavam demissões, "mas sim admissões, de professores", dizendo que é importante resolver o problema das colocações ainda em falta.

Eduardo Lemos, presidente do Conselho de Escolas, também não quis fazer qualquer comentário à saída de João Grancho da equipa ministerial liderada por Nuno Crato.

O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, apresentou hoje a sua demissão alegando "motivos de ordem pessoal", tendo sido aceite pelo ministro Nuno Crato, segundo nota do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

João Grancho disse hoje à agência Lusa que cessa funções por decisão "estritamente do foro pessoal, determinada por imperativos de consciência e de sentido de serviço público".

A demissão surge no dia em que o jornal Público noticiou que o secretário de Estado, em 2007, e enquanto presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), plagiou textos produzidos por autores académicos sobre temas como deontologia profissional e formação inicial de professores, dos quais retirou extratos para usar num texto, sem citar os autores, que terá estado na base da sua intervenção num seminário que decorreu em Múrcia, Espanha, dedicado ao tema "A dimensão moral da profissão docente".

Na resposta enviada ao jornal Público, o secretário de Estado refutou as acusações de plágio.

A demissão de João Grancho surge ainda numa altura em que a equipa do MEC, liderada pelo ministro Nuno Crato, enfrenta forte criticismo e vários pedidos de demissão por parte da oposição parlamentar devido aos problemas e erros com a colocação de professores nas escolas para este ano letivo.

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