Sindicato da construção quer falar de emigrantes com Governo

O Sindicato da Construção de Portugal anunciou ontem que vai pedir uma audiência de caráter urgente ao secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, para avaliar a situação de trabalhadores do setor que estão em vários países da Europa.

"Faremos o pedido de reunião entre hoje e amanhã (quarta-feira)", disse à Lusa o presidente da direção do sindicato, Albano Ribeiro.

De acordo com o comunicado hoje divulgado pelo sindicato, cada vez mais estão a sair do país trabalhadores do setor da construção e "todos os dias cerca de 500 postos de trabalho desaparecem, com tendência para aumentar a cada dia que passa".

O sindicato alega que, devido a esta situação, "logo aparecem angariadores de mão-de-obra a recrutar trabalhadores para o Luxemburgo, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, França e também para o Canadá, prometendo-lhes salários entre os dois e cinco mil euros e boa alimentação".

Entretanto, quando os portugueses chegam aos países de acolhimento, a realidade é bem diferente, segundo o sindicato, referindo que muitos trabalhadores acabam por ganhar "três vezes menos do que os trabalhadores naturais dos países".

"Existem trabalhadores que estão a ser ameaçados caso denunciem publicamente estas situações, por isso é necessário uma intervenção do sindicato junto das autoridades, quer nacionais quer estrangeiras, a fim de por termo a este tipo de situações de escravatura contemporânea", referiu a nota.

Hoje, um grupo de portugueses pediu ajuda à embaixada portuguesa em Londres por, alegadamente, estar há 15 dias sem receber dinheiro ou trabalhar, no âmbito de um contrato com uma empresa de construção civil.

O secretário de Estado das Comunidades disse hoje que as autoridades portuguesas continuarão atentas ao caso.

"A situação evoluiu, mas ainda estamos numa fase de análise. Estamos muito atentos e vamos continuar muito atentos à evolução" do caso, disse à Lusa José Cesário.

Esta situação foi denunciada à agência Lusa por um dos 106 portugueses contratados para uma obra em Aston, Birmingham, no Reino Unido.

"Mandámos lá uma funcionária nossa, que falou com os trabalhadores e com a empresa", afirmou José Cesário.

"A empresa, tanto quanto nos foi transmitido, já começou a pagar a alimentação dos trabalhadores", declarou o secretário de Estado das Comunidades.

Cesário declarou que neste caso "há uma série de aspetos a nível dos contratos que os trabalhadores fizeram que estão a ser esclarecidos".

"Temos de ter a certeza que eles assinaram contratos legais, ainda não tenho esta certeza. Esta avaliação está a ser feita, evidentemente, pelos organismos competentes", acrescentou.

O secretário de Estado disse que ficaram com os contactos dos trabalhadores, "até para avaliar a evolução das coisas".

"Portanto, eu diria que a situação evoluiu um pouco positivamente", referiu ainda Cesário, acrescentando, no entanto que, "a maior parte deles está a trabalhar, embora realmente subsistam ali alguns problemas".

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