Silva Carvalho ouvido à porta fechada no Parlamento

O ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) está a ser ouvido na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, numa audição à porta fechada por decisão do próprio.

A decisão de Jorge Silva Carvalho foi conhecida no início da audição, às 11:05, depois de ter sido questionado pelo presidente da mesma, o social-democrata Fernando Negrão, que considerou que a audição tem um âmbito "de grande delicadeza" e que "exige algum recato".

O ex-director do SIED argumentou depois que "para a reunião produzir os efeitos pretendidos" deveria decorrer sem a presença dos jornalistas.

O antigo director da 'secreta' externa e actual quadro da Ongoing chegou ao Parlamento por volta das 11:00, acompanhado pelo seu advogado e antigo ministro do PSD, Nuno Morais Sarmento, e pelo responsável pela comunicação da Ongoing.

Entre os socialistas, as expectativas são baixas sobre a possibilidade de se apurarem dados novos sobre o funcionamento das "secretas", já que deputados do PS contactados pela agência Lusa acreditam que só numa reunião com o presidente dos Serviços de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, poderá eventualmente ser aferido qual o estado das "secretas" e, sobretudo, se os seus agentes estão ou não a cumprir escrupulosamente a lei.

A audição de Jorge Silva Carvalho acontece depois de, no último mês e meio, terem sido divulgadas notícias pelo semanário Expresso que dão conta do alegado fornecimento de informações de Silva Carvalho à Ongoing, empresa que mais tarde o contratou, e de alegados actos de "espionagem" ao ex-jornalista do Público e actual director de informação adjunto da agência Lusa, Nuno Simas, e ao empresário madeirense Humberto Jardim.

Na única audição feita até agora sobre estes casos, que teve lugar no início de Agosto e foi à porta fechada, o presidente do Conselho de Fiscalização do Serviço de Informações da República (CFSIRP), Marques Júnior, disse ter concluído que houve "utilização indevida de meios afetos ao SIED" e "o envio indevido de informação".

A 23 de Julho, depois de surgir a primeira notícia de passagem de informação à Ongoing, Silva Carvalho anunciou de imediato ter pedido uma audiência ao Parlamento, o que mais tarde veio a ser concretizado por PS, PCP e BE, tendo os socialistas recuado posteriormente.

Na altura, o gabinete do primeiro-ministro anunciou que Passos Coelho solicitou ao SIRP a realização de um inquérito para "apurar e esclarecer quaisquer factos relacionados" com alegadas fugas de informação naqueles serviços e, mais tarde, também à alegada espionagem a Nuno Simas. Entretanto, Passos Coelho reuniu com Júlio Pereira em São Bento, a quem pediu celeridade e profundidade no processo.

Na Procuradoria-Geral da República (PGR) decorrem dois inquéritos, tendo a Comissão Nacional de Protecção de Dados anunciado igualmente uma investigação.

A direcção do jornal Público solicitou às autoridades competentes a abertura de um inquérito e o jornalista Nuno Simas apresentou uma queixa-crime por devassa da vida privada.

No último sábado, dia 3 de Setembro, o Expresso noticiou outro alegado caso a envolver o ex-director do SIED, que terá solicitado uma investigação a um empresário madeirense, Humberto Jardim, a pedido de um amigo e actual quadro da Ongoing, Paulo Santos.

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