Semana decisiva para garantir segurança nas praias da Arrábida

A Câmara de Setúbal e a Capitania do Porto não chegaram a acordo sobre a cedência das piscinas municipais para que fosse lecionado o curso de nadador salvador na cidade.

Dez vigilantes que há vários anos trabalham nas praias da Arrábida precisam da formação - agendada entre 2 de abril e 5 de maio - para renovarem as licenças, que terminam no próximo mês, o que levou o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) a intervir do diferendo, negociando uma solução com a autarquia. Já na tarde desta segunda-feira o comandante Nuno Leitão, porta-voz da Autoridade Marítima, avançou ao DN que o problema poderá ser ultrapassado quarta-feira.

Os nadadores salvadores estão expetantes: "O que está em causa é muito sério. Estamos a falar de segurança das pessoas", sublinha Ricardo Venâncio, que presta serviço na praia da Figueirinha há três verões consecutivos, recordando como a partir de junho aquela zona balnear começa a receber à ordem de 40 autocarros diários com cerca de 2 mil crianças das escolas da região. "Se não tivermos tudo preparado até lá, estaremos a correr riscos desnecessários", avisa.

Justifica ainda que a Figueirinha tem uma corrente, na fase da enchente, que "precisa sempre" de vigilantes por perto. "Temos tirado de lá muita gente", revela, tratando-se de uma praia para onde estão previstos quatro postos de vigia e oito efetivos.

A alternativa para estes jovens seria os cursos de formação em Sesimbra - a cerca de 30 quilómetros de Setúbal - mas tanto Ricardo Venâncio como os restantes colegas recusaram encarar essa solução, sobretudo, por ser dispendiosa.

Inês Horta é estudante e explica que "não teria possibilidades financeiras" para se deslocar a Sesimbra. "Tem alguma lógica ser obrigada a pagar combustível e alimentação para fazer a formação das 20.00 horas à meia-noite?", questiona a jovem, que tem vindo a trabalhar nas praias de Galapos e Galapinhos.

Os mesmos argumentos são utilizados por Vasco Oliveira, vigilante nas piscinas municipais, para excluir a hipótese de Sesimbra, onde, entretanto, as inscrições até já se encontram encerradas. "O curso custa-nos 150 euros", refere, acrescentando que já em 2014 não houve curso em Setúbal, pelo que o último verão "houve necessidade de chamar nadadores de outros lados".

Na origem da falta de entendimento entre câmara e capitania está o facto do município sadino não ter cedido gratuitamente as piscinas municipais para que os dois cursos planeados pelo ISN para Setúbal fossem lecionados. A autarquia pediu contrapartidas, através da celebração de um protocolo que isentasse o município de taxas cobradas pela capitania em iniciativas municipais nas zonas sob jurisdição da autoridade marítima.

A capitania não aceitou e a autarquia passou a negociar diretamente com o ISN. O vereador Pedro Pina admite ser criada a parceria com este organismo "que assegure a utilização das piscinas municipais para a realização de cursos", enquanto Nuno Leitão, que esta segunda-feira reuniu com os nadadores salvadores de Setúbal, confirma que há um protocolo em vias de ser assinado, para que a formação venha a ser realizada nas piscinas de Azeitão, carecendo apenas da aprovação do diretor-geral da Autoridade Marítima, vice-almirante Silva Ribeiro.

"Compreendemos as dificuldades orçamentais da câmara para ceder gratuitamente as piscinas, mas cada curso tem um custo de 500 euros para o Estado. É por isso que cobrada a taxa de matrícula aos formandos", explica, concluindo que a responsabilidade de garantir a segurança balnear "é de todas as entidades ligadas às praias e quem beneficia são os utentes e os municípios onde as praias estão".

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