Seguro identifica seis diferenças de fundo entre socialistas e Governo

O secretário-geral do PS identificou hoje seis diferenças de fundo entre os socialistas e o Governo PSD/CDS, numa tentativa de traçar uma clara linha de demarcação face a políticas sociais e económicas de cariz liberal.

Na sua intervenção, durante a sessão de abertura do XVIII, António José Seguro centrou o PS numa linha de esquerda, demonstrando pouca abertura para alterações constitucionais, ou para mudanças profundas ao nível do Estado social.

De acordo com Seguro, o PS separa-se do PSD na sua visão sobre a Constituição da República, alegando que defende a actual Lei Fundamental, e na ambição da igualdade, que, "para a direita, não é um valor ético, um dever que a sociedade impõe a si mesmo concretizar".

Nos direitos sociais, segundo Seguro, o actual Governo tem uma perspectiva de "caridadezinha" e em que a "assistência é sempre provisória, sempre desconfiada e sempre excessiva por ser para quem é".

"Esta visão das políticas sociais confunde benesses e esmolas com direitos", sendo "um retrocesso civilizacional sem paralelo na História democrática" e "uma ofensa à ética democrática e à consciência republicana", considerou o secretário-geral do PS.

Outra diferença entre socialistas e liberais relaciona-se­, na perspectiva de Seguro, com a questão do rigor orçamental, que, para os socialistas, é uma condição essencial para garantir a sustentabilidade do Estado e que, para a direita, "é um fim em si mesmo porque os mercados assim o exigem".

No posicionamento face à Europa, Seguro disse que o PS encara este projecto como "um espaço de liberdade e de solidariedade, muito mais do que um mercado e uma moeda única".

"O posicionamento do actual Governo consiste apenas em acatar o memorando [da troika] e as posições da Alemanha, sem nunca as problematizar, sem distinguir entre os nossos interesses e os das principais potências europeias, sem nunca pensar de que modo a nossa crise é também a crise das dívidas soberanas e a crise do euro. O actual Governo e este PSD estão embrulhados num europeísmo acrítico, que nos leva para uma situação na qual o país, mesmo que consiga pagar as suas dívidas e agradar aos parceiros europeus, ficará depois - e por muitos anos - mais pobre e sem alternativas de desenvolvimento", disse.

Como sexta e última diferença face ao actual executivo, o líder socialista apontou a questão da "confiança nas pessoas e na capacidade de transformação do ser humano". "A diferença entre nós e a direita é que a direita desconfia das pessoas. Essa é a diferença fundamental entre a visão progressista e a visão conservadora", advogou.

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