SEF alarmado com iranianos que vêm a Portugal para ir para Londres

Três iranianos estão detidos com documentos falsos e o mesmo argumento: iam para o Reino Unido trabalhar. A polícia de Fronteiras identificou 8500 pessoas em ações de prevenção

Chegam a Portugal já depois de terem andado em trânsito pela Europa e utilizam o nosso país para seguir para Londres, capital do Reino Unido. Esse era, pelo menos, o objetivo declarado de três iranianos que foram detetados com passaportes falsos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ontem e na semana passada, nas ações pós-atentados de Paris que as polícias têm levado a cabo.

Os detidos alegaram que queriam ir trabalhar para a capital britânica e que recorreram a passaportes falsos por terem maior facilidade de circulação utilizando nacionalidades europeias. Mas a possibilidade de se tratar apenas de imigração ilegal ainda está a ser verificada com investigações em curso.

Em sete dias o SEF identificou uma média de 1214 pessoas por dia com estas operações de reforço da prevenção em estações rodoviárias e ferroviárias e nos portos, num total de 8500 identificados. Mas apenas os iranianos ficaram à guarda provisória da polícia de fronteiras para averiguações sobre a história que contaram e que levanta algumas interrogações.

O último caso, detetado ontem, foi o de um homem iraniano intercetado no aeroporto de Faro, no Algarve, com um passaporte romeno falso, antes de viajar para Londres, segundo adiantou fonte do SEF ao DN. O suspeito, de 35 anos, alegou às autoridades que queria seguir para a capital britânica para ir trabalhar.

Antes desse caso, na quinta-feira passada, tinha sido detido um casal de iranianos (ele com 34 anos, ela com 25) no aeroporto do Porto, quando se preparava para embarcar para Londres com passaportes gregos falsificados.

Contaram à autoridade ter vindo de Paris para o Porto por via terrestre, depois dos atentados de 13 de novembro na capital francesa, e que só conseguiram escapar à fiscalização apertada das autoridades francesas recorrendo a documentos falsos.

O Irão tem estado envolvido no combate aos jihadistas do Estado Islâmico (ISIS), em concertação com a Rússia e com a Síria (do lado do regime de Bashar al-Assad). A mílicia iraniana Basij até já prometeu publicamente que iria "destruir o ISIS".

Dezenas de operações

O SEF fez dezenas de ações de controlo documental em estações rodoviárias e ferroviárias, acessos a marinas e a cais e portos marítimos, e controlos móveis em estradas fronteiriças, algumas em colaboração com PSP, GNR e Polícia Marítima. Das 8500 pessoas identificadas numa semana, 106 eram estrangeiros em situação irregular, estando 64 notificados para abandonar o país.

Houve ainda dez detenções para processos de afastamento coercivo, duas para cumprimento imediato de decisões de afastamento, uma por uso de documentos falsos, quatro readmissões a Espanha e 25 notificações de comparência nas instalações do SEF. Foram ainda abertos nove processos de contraordenação por irregularidades relacionadas com o trabalho de estrangeiros em situação de permanência ilegal. O conjunto de ações envolveu cerca de 150 operacionais, conclui o comunicado do SEF.

A mesma polícia anunciou ontem que uma investigação sua culminou, na segunda-feira, com a condenação pelo Tribunal Central de Lisboa de 14 arguidos do Leste Europeu a penas de prisão entre os três e os 15 anos, pelos crimes de falsificação de documentos, furto qualificado e posse de arma proibida.

Embora o tribunal não tenha provado o crime de associação criminosa, concluiu que os condenados atuavam em "bando", praticando assaltos em residências de forma sistemática e recorrendo a documentaçãofalsa para se identificarem perante as autoridades portuguesas. Em processos separados tinham sido já condenados outros arguidos ligados ao grupo, quatro em Penafiel e dois em Lisboa. No final do cumprimento das penas os 14 condenados serão expulsos do país, comunicou o SEF.

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