Secretas sensibilizam setores estratégicos contra o terrorismo

O secretário-geral Júlio Pereira, quer uma aposta forte na defesa dos interesses económicos portugueses

Tem um nome sugestivo: "Programa Kritica" e começou a ser desenvolvido pelo SIS (Serviço de Informações Estratégicas de Segurança). De acordo com o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) "perante a persistência das ameaças de cariz transnacional como é o caso do terrorismo" foi concebido este projeto "para a sensibilização dos sectores estratégicos - transportes, energia, comunicações, água, banca, órgãos de soberania, etc. - no que respeita à necessidade de reforçarem as medidas de segurança física, informática e comportamental, de modo a mitigarem os efeitos económicos e sociais de ataques contra infra-estruturas essenciais à preservação da vida em sociedade". Júlio Pereira falava numa conferência, esta quarta-feira, organizada pela LIDE (uma associação de líderes empresariais), e a na sua intervenção deixou bem salientada a sua preocupação com a segurança dos interesses económicos portugueses, a nível nacional e internacional. Até porque, como salientou, a um "crescente envolvimento dos serviços de informações na identificação de ameaças à segurança da economia, corresponde o aumento da espionagem económica, em detrimento da espionagem política e militar".

O chefe máximo dos espiões valorizou o exemplo de outros países, como a França e o Reino Unido na identificação destas ameaças e na proteção dos respetivos interesses económicos nacionais, através de "programas de sensibilização para o desenvolvimento de uma cultura de segurança nos organismos do Estado e nas empresas" e que contam com a "agregação de conhecimento de várias entidades, entre as quais se encontram os serviços de informações". No entanto em Portugal, lamentou, "ainda não se atingiu este estado de maturidade de cultura de segurança protetiva, embora reconheça que há algumas iniciativas com valor potencial".

Júlio Pereira recordou o "Programa de Segurança Económica" que o SIS criou em 2006, tendo sensibilizado "centenas de empresas portuguesas, desde as que integram o PSI20 até às mais recentes startups",mas deixou implícito mais um lamento. O de que não podem ser só as secretas a fazer este trabalho tão importante para a soberania e a fortalecimento do Estado português: "esta iniciativa necessita de ser reforçada no âmbito de uma estratégia mais ampla do Estado, sob pena de se esgotar num esforço quase unidirecional desintegrado de uma visão mais abrangente da política económica", assinalou. No seu entender, "agregar experiência e conhecimento de instituições como o Ministério da Economia, A AICEP, o Centro Nacional de Cibersegurança, a Autoridade Nacional de Segurança, o Instituto da Nacional da Propriedade Industrial, entre outras organizações, redundará num contributo muito mais consistente para a dimensão da segurança económica".

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