Secretário de Estado João Grancho demitiu-se

O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário apresentou o pedido ao ministro Nuno Crato invocando "motivos de ordem pessoal". A saída surge após acusações de plágio num discurso feito num seminário.

A informação é avançada em comunicado pelo próprio Ministério da Educação, que refere "motivos de ordem pessoal". "O Senhor Ministro, agradecendo o trabalho empenhado e leal do Dr. João Grancho, transmitiu ao Senhor Primeiro Ministro esse pedido, solicitando que transmitisse ao Senhor Presidente da República o pedido de exoneração do Senhor Secretário de Estado", diz comunicado.

Esta é a terceira saída de um secretário de Estado em mês e meio.

A demissão surge na sequência de uma notícia do jornal Público, que dá conta que o secretário de Estado copiou textos académicos numa comunicação que apresentou num seminário, sem citar, quando era presidente da Associação Nacional de Professores.

O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário apresentou a comunicação "Dimensión moral de la profession docente. Un compromisso europeu" numa conferência sobre Educação, em Múrcia, em abril de 2007. A comunicação, publicada na páginas das jornadas, contém várias partes copiadas de trabalhos académicos, sem que seja feita qualquer referência aos respetivos autores, quer no texto, quer na bibliografia.

Há parágrafos inteiros repetidos, incluindo algumas reflexões sobre o tema. O gabinete de João Grancho desvalorizou a questão, dizendo que se tratava de um documento de trabalho e que não se pretendia "assumir como documento de reflexão própria ou de produção original".

Um dos académicos em causa, João Pedro da Ponte, director do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, vê no documento "uma cópia integral", em que "nem sequer houve trabalho de disfarçar", segundo disse ao Público, e critica este tipo de prática.

Nos últimos anos casos de plágio levaram à demissão de vários governantes na Europa, nomeadamente na Alemanha: a ministra da Ciência Annette Schavan perdeu o doutoramento e o cargo, Karl-Theodor zu Guttenberg demitiu-se também na sequência de acusações de plágio na sua tese de doutoramento.

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