Se vencer, Centeno apoiará federalismo à la Macron

Centeno nunca pôs nem põe em causa as regras do Pacto, como elas estão escritas, mas é um crítico da via "austeritária"

Um ministro das Finanças único para a zona euro, um fundo monetário europeu, um orçamento e um tesouro único são algumas ideias, defendidas por França, que podem colher a simpatia de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo, caso seja eleito hoje.

Além disso, o ministro português vai tentar encontrar "consensos" para uma nova forma de cumprir os critérios do Pacto de Estabilidade. Centeno nunca pôs nem põe em causa as regras do Pacto, como elas estão escritas, mas é um crítico da via austeritária, dos cortes a fundo na despesa para reduzir o défice e mais alívios às empresas para que estas criem empregos (o modelo preferido da Alemanha de Wolfgang Schäuble).

Centeno vai tentar valorizar ainda mais, a nível do euro, a estratégia de devolução de rendimentos a trabalhadores e pensionistas. Uma estratégia que puxa pelo consumo, dá gás à retoma pela via da procura e à confiança das famílias. "Vamos dar esse contributo construtivo, crítico às vezes, que permite encontrar caminhos alternativos (...) num contexto de agregação de vontades", disse o ministro na apresentação da sua candidatura. Outra das lutas de Centeno desde que é ministro das Finanças tem passado ainda pela questão do cálculo do PIB potencial e pelos critérios do ajustamento estrutural. Ainda hoje, Bruxelas e Lisboa não se entendem neste assunto.

A nível da alta política são as ideias de maior federalismo ("convergência entre países") que vão estar no centro do longo debate sobre a "reforma da zona euro", que arranca na semana que vem, quarta-feira, 6 de dezembro, com um pacote de propostas da Comissão Europeia. O caderno vai incluir o projeto de criação de um fundo monetário europeu, por exemplo.

Na sexta-feira à noite, em entrevista à Reuters, o ministro português deixou claro que, caso ganhe a corrida a presidente do conselho de ministros da zona euro (eleição de hoje), vai defender algumas daquelas ideias federalistas, apresentadas em setembro pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Mário Centeno explicou que se for eleito líder do Eurogrupo estará empenhado em aprofundar uma ainda maior integração dos países que partilham a moeda única. "É importante alargar e refrescar a agenda do Eurogrupo."

"Certamente que muitas das ideias apresentadas por Macron para fortalecer o governo da zona do euro são interessantes", defendeu Centeno, "referindo-se às propostas de um orçamento europeu comum e de um ministro das Finanças comum", escreve a Reuters.

Quando esteve na Grécia, em setembro, Macron defendeu junto do chefe do governo grego, Alexis Tsipras, que a zona euro deve ser dotada de um ministro das Finanças único e de um fundo monetário próprio, que possa assistir países em dificuldades - se e quando houver uma nova crise.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG