"Se Rio quer ser candidato, que seja às autárquicas que são já para o ano"

Poucos quiseram comentar, no PSD, um eventual avanço de Rui Rio para a liderança do partido.

O coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, acredita que Rui Rio "tem capacidade e currículo" para ser um "bom" candidato a uma câmara municipal, nas eleições do próximo ano. Em reação à entrevista de Rio, ontem ao DN, em que o ex-presidente do Porto admite que se poderá candidatar, contra Pedro Passos Coelho, à liderança do PSD, Carreiras lança o desafio: "Se quer tanto ser candidato, que seja às autárquicas, que são já para o ano, e é essa, neste momento, a preocupação em que estamos focados no partido."

O também presidente da Câmara Municipal de Cascais estranhou as críticas de Rio à oposição do PSD na câmara do Porto ( liderada por Rui Moreira, cuja candidatura Rui Rio apoiou), incluindo o facto de não ter um candidato forte. "Nesse caso porque não se candidata ele próprio? Nada o impede. Tem currículo, capacidade e experiência para ser um bom candidato a qualquer câmara e a do Porto ainda melhor", assinala Carlos Carreiras.

Este dirigente social-democrata identificou alguma "fragilidade e sobranceria" nas palavras de Rui Rio, quando este aponta as condições para avançar na corrida à liderança do PSD. Disse Rio que, para tomar a decisão, vai ter em conta "diversos fatores": "Perceber se os apoios que eu possa ter são convictos e se acreditam mesmo em mim. Se as outras alternativas são suficientemente credíveis e robustas para servirem o PSD e o país. Se há espaço para implementar o fundamental das minhas ideias e da minha maneira de ser, que como sabe tendem a ser um pouco disruptivas relativamente à política na sua forma mais tradicional. Se sinto condições para gerar uma dinâmica de mudança e de desenvolvimento em Portugal. E, até, se tenho os inimigos políticos corretos."

Carreiras não compreende "tantas condições" que, no seu entender, "revelam alguma fragilidade e confusão", nem a expressão "inimigos políticos". "Desde quando há, num Estado de direito democrático, inimigos políticos? Em política há adversários, não inimigos", remata.

Miguel Pinto Luz, presidente da Distrital do PSD de Lisboa, valoriza o facto de Rui Rio assumir as suas intenções "às claras" e que isso "só prova que estamos num partido livre onde todos podem expressar as suas críticas e opiniões". Entende que tais declarações "não fragilizam, de maneira nenhuma, a direção do PSD, que está muito sólida, com a presidência de Pedro Passos Coelho".
Na mesma linha de opinião está o presidente da concelhia de Lisboa que também considera "positiva" a disponibilidade manifestada por Rui Rio. "É bom saber que há mais militantes disponíveis para discutir ideias e projetos, é bom para a democracia interna do partido. A disponibilidade de qualquer militante é sempre bem-vinda", afirmou ao DN Mauro Xavier.

O dirigente faz, no entanto, questão de lembrar que a questão da sucessão de Pedro Passos Coelho não se coloca neste momento, "porque nem há congresso marcado, situação que o próprio Rui Rio salientou na entrevista". Tal como Miguel Pinto Luz, este dirigente também pensa que o facto de o antigo autarca do Porto admitir o cenário de uma candidatura à presidência dos sociais-democratas, "não fragiliza a liderança" de Passos Coelho. "Não vejo razão para isso, tal como não fragilizam os resultados eleitorais. São situações que fazem parte dos ciclos políticos."

O DN tentou comentários de dirigentes, antigos dirigentes e deputados do PSD, que não quiseram falar ou não responderam: Pedro Santana Lopes, Luís Marques Mendes, José Eduardo Martins, Pedro Duarte, Marco António Costa, Luís Montenegro, Teresa Leal Coelho, Paulo Rangel, Luís Pedro Aguiar--Branco e Miguel Veiga.

Do CDS, que oficialmente tem por regra não comentar assuntos internos do PSD, fonte próxima da direção apenas destacou a "constatação de, na entrevista, não se ficar a perceber que tipo de PSD seria o de Rui Rio. Se mais próximo do centro-direita e do CDS, como o de Passos Coelho, se de António Costa e do PS". Este dirigente centrista também não viu "muitas críticas à atuação de Passos o que, vindo de alguém que quer ser alternativa, não deixa de ser surpreendente e leva a perguntar, então qual é a linha diferente que defende?".

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