"Se calhar teremos de olhar para a forma como são construídas as estatísticas"

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares admite não ter explicações para o facto de o desemprego estar a diminuir sem que a economia cresça.

Há alguns economistas que estão um pouco perplexos com um fenómeno que se verifica que é a diminuição do desemprego mas com um crescimento muito baixo da economia. Qual é a sua explicação para este fenómeno?

Este é um fenómeno novo, porque nós conhecíamos o jobless growth, crescimento sem criação de emprego. Hoje temos uma situação que provavelmente só aparentemente é que é a criação de emprego com pouco crescimento. Se calhar teremos de olhar para a forma como são construídas as estatísticas. Verdadeiramente temos uma criação de emprego muito relevante, com a redução daqueles trabalhadores que frequentavam programas ocupacionais e estamos a falar de uma redução brutal dos empregados ocupacionais que contavam nas estatísticas e que foi a forma que o governo anterior encontrou para reduzir o desemprego. Temos uma diminuição de desemprego muito significativa e uma criação de emprego muito relevante e portanto eu não lhe consigo dizer, muito sinceramente, qual é a, como é que elas se compatibilizam. A verdade é que o objetivo principal de qualquer política económica é criação de emprego e estamos a ter muito sucesso.

Faz sentido nesta altura pensar-se em eventuais alterações à forma como o PIB é calculado?

É uma questão demasiado técnica para fazer sentido da minha parte entrar nela. Verdadeiramente, o que interessa ao Governo e aos portugueses na realidade é sabermos se o emprego está a ser criado. E o emprego está a ser criado. Quando olhamos para o emprego em Agosto deste ano e comparamos com o Agosto do ano passado ele está a crescer a 2%, o que é de facto muito relevante e é uma vitória para os portugueses.

Mas falou numa necessidade de se repensar a maneira como se fazem as estatísticas. Importava-se de elaborar um pouco? Qual é a estatística de que fala? Do emprego ou do PIB? É possível a economia estar a crescer mas a estatística não o refletir?

É, como eu dizia, uma discussão técnica, iminentemente técnica, que pode ser tida. Agora, verdadeiramente a criação de emprego está a acontecer de facto. As contribuições para a Segurança Social estão a aumentar de facto, é inquestionável. Podemos estar a recuperar capacidade que estava já instalada. É um debate que não ganharíamos nada em ter nesta entrevista porque estaríamos provavelmente a cometer muitos erros.

O debate na generalidade do OE 2017 revelou uma aparente evolução da posição governamental na questão da dívida pública. Existem ou não existem conversas com Bruxelas?

A posição do Governo não se alterou, peço desculpa por desiludir ou não ir de encontro à expectativa, mas não mudou. Reconhecemos sempre que a dívida é um problema, é um constrangimento, o serviço da dívida tem um peso muito relevante no nosso OE, são mais de oito mil milhões de euros de juros todos os anos. Mas a resolução desse peso deve obviamente ser feita no quadro europeu e não alterámos nem uma vírgula desse ponto de vista.

A evolução tem sido feita através de aspirinas, prazos, juros, etc. Admite que no quadro europeu possa haver conversas para uma restruturação mais substantiva?

Posso responder olhando para o passado. Conseguimos beneficiar de alargamento das maturidades e de redução dos juros. Isso é uma restruturação da dívida.

Mas restruturação implica também diminuir o montante, perdão de dívida.

Ou não. Pode implicar - ou não. Temos três variáveis sempre em cima da mesa: o capital, as taxas de juro e a maturidade. Mas não é avisado, enquanto membro do governo, fazer especulações.

Essas conversas já estão de alguma forma a avançar ou com outros estados-membros ou com Bruxelas?

A melhor pessoa para poder responder a questões sobre negociações no quadro europeu, seja em que assunto for, nomeadamente financeiro, é o ministro das Finanças.

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