Saúde alivia pressão sindical em outubro

Sindicato dos Enfermeiros Portugueses suspendeu greve e o dos Enfermeiros não entregou pré-aviso

Num único dia o Ministério da Saúde conseguiu duas meias vitórias e aliviar a pressão sindical que ameaça marcar o mês de outubro. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) suspendeu ontem a greve que tinha marcado para a próxima semana e vai esperar até dia 9 de outubro para perceber o que o governo propõe em relação às carreiras. Um anúncio que aconteceu no mesmo dia em que outro sindicato, o dos Enfermeiros (SE), decidiu não entregar para já o pré-aviso de uma greve que ainda pondera realizar a meio de outubro.

A decisão do SEP foi anunciada no final da reunião de ontem com a equipa de Adalberto Campos Fernandes, onde os sindicalistas registaram "uma evolução da posição do governo", mas ainda insuficiente para fechar um acordo. Um dos principais pontos de discordância continua a ser a remuneração dos enfermeiros especialistas. O governo mantém a proposta de um suplemento de 150 euros a cada profissional, até à revisão da carreira, o que o SEP considera inaceitável, contrapondo com 412 euros de acréscimo salarial. Segundo o presidente do SEP, "só desta forma ficariam em igualdade de remuneração com os especialistas em farmácia, em nutrição ou em psicologia".

Num vídeo divulgado na página de Facebook do sindicato, José Carlos Martins anunciou ainda que "o governo aceitou repor o pagamento das horas de qualidade aos enfermeiros de forma faseada, logo a partir de janeiro de 2018. Quanto às 35 horas de trabalho semanais, houve também uma evolução, com o ministério a aceitar que a transição das 40 para as 35 horas seja concretizada a 1 de julho de 2018".

Apesar desta evolução na posição do ministério, reconhecida pelo SEP, "não houve evolução suficiente de posições". Ainda assim, a greve agendada para 3, 4 e 5 de outubro foi suspensa até à próxima reunião com o governo, marcada para dia 9.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses foi o único a não participar na greve de 11 a 15 de setembro, que terminou com uma manifestação em frente ao Parlamento. Mas no dia 14 de setembro o SEP acabou mesmo por anunciar uma paralisação, apenas 24 horas depois de o primeiro-ministro se ter mostrado confiante num entendimento a curto prazo com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que "tem mantido negociações com o governo".

E ainda ontem, em entrevista à TSF, António Costa voltou a elogiar o SEP, "o único que tem postura dialogante", e mostrou-se novamente confiante num acordo próximo com os enfermeiros. "Tenho otimismo de que seja possível (um acordo). A indicação que tenho por parte do ministro da Saúde é que estamos muito próximo de chegar a acordo". Agora, ao contrário do que aconteceu em setembro, a realidade parece querer confirmar as palavras de Costa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG