São craques e aconselham: sucesso só com muito trabalho

Segunda semana dos exames nacionais vai levar milhares de alunos a testar os conhecimentos a uma das disciplinas mais temidas. Médias têm subido

Esta semana - amanhã e quinta-feira - milhares de alunos vão sentar-se numa sala de exame e fazer uma das provas que mais temem. Matemática vai ser o prato forte da segunda semana de exames, por isso, o DN falou com dois craques na matéria (vão fazer exame) que ajudam a motivar os colegas para os testes que aí vêm.

Amanhã, 99 194 alunos do 9.º ano vão dar o pontapé de saída nos testes aos cálculos. Dois dias depois, na quinta-feira, é vez dos 48 981 colegas do ensino secundário mostrarem que sabem usar as calculadoras. Quem não vai sentir dificuldades vão ser Alberto Pacheco e Inês Guimarães. Alunos de 20 valores, os dois jovens não imaginam nada mais bonito no mundo que "resolver problemas".

Os conselhos que deixam a quem vai fazer exame e ainda não sabe bem como estudar podem parecer óbvios, mas se calhar ainda há quem não tenha pensado nisso. Para Alberto Pacheco, multi-medalhado em olimpíadas da matemática (nacionais, da CPLP e Ibero-Americanas) tudo "depende da finalidade da dica".

Ora venha de lá uma dica para passar no exame e despedir-se da matemática para sempre: "Nesse caso as pessoas têm de saber exatamente os exercícios que saem no exame, quais os que valem mais pontos e quais é que sabem fazer bem. A partir daí devem dedicar mais tempo a estudar o que não estão tão confortáveis e que vale muitos pontos em exame." Até porque, quando se trata de matemática "treinar exercícios que estão confortáveis é desperdício de tempo", alerta o aluno de Gondomar.

Inês Guimarães sintetiza os conselhos um duas ideias: "Estudar com um método e trabalharem muito. No estudo é importante a qualidade - não estar a estudar com o Facebook aberto - mas também é muito importante a quantidade." A motivação para a disciplina para ser tão difícil de manter como as médias nas provas nacionais. Ora, chegam aos 14 valores ou lutam para chegar aos 8, numa escala de zero a 20 (ver gráfico). Já os alunos que fazem exame do 9.º ano têm provado nos testes internacionais que estamos cada vez mais interessados em cálculos.

Talvez porque no PISA, as questões sejam diferentes das colocadas nas escolas. Uma outra dica que Inês deixa é essa. "As pessoas que acham a disciplina uma seca podem sair da matemática da escola e tentar uma matemática mais apelativa". No caso dos dois jovens, as olimpíadas ajudaram nisso. Os dois génios dos números deram cartas nesta competição - Alberto vai estar em Hong Kong no próximo mês nas Olimpíadas Internacionais da matemática - e até podem vir a sentar-se lado a lado nas aulas da universidade. Alunos de 20 valores nesta área, querem os dois estudar matemática no Porto.

A jovem de Guimarães ainda não sabe exatamente o que vai fazer com essa formação, mas por enquanto está a tentar conquistar admiradores para a matemática através de vídeos no Youtube. Com um canal, há quase um ano, a MathGurl tenta mostrar o lado divertido dos números. "As pessoas acham que matemática é só equações e fórmulas chatas e não é. A matemática tem muita beleza. Mesmo a matemática pura que não tem aplicação é fascinante", garante a estudante de 18 anos.

Ajudar as pessoas a perceber que coisas do dia-a-dia como os videojogos dependem da matemática é, para Alberto, uma forma de motivar os colegas para a disciplina. Aliás, o estudante não compreende "como é que os alunos logo no segundo ano, ainda a aprender a contar até 20, já dizem que não gostam de matemática. É uma opinião que ouvem e não é adquirida pela experiência com a disciplina".

Para o exame que se avizinha, os dois finalistas confessam, que não estão preocupados. Inês até tem estado a ver exames anteriores e a resolver os exercícios, mas sem grande pressão. Até porque, "todos os dias estudo matemática, não sei passar um dia sem resolver problemas, mas não é necessariamente matéria da escola".

Alberto está ainda mais descontraído. "Sempre tive uma grande intuição matemática e todos os exercícios que aparecem, mesmo os mais difíceis podem ser resolvidos da primeira vez que se olha para eles, se tivermos uma certa intuição". Isto significa que Alberto apenas olhou para as indicações da matéria que sai no exame e que só vai voltar a pensar nele na quinta-feira às 09.30 quando se sentar na cadeira com o enunciado à frente.