Santana diz que decisão "está tomada". Mas não diz qual

"Não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada", garantiu Santana Lopes

Pedro Santana Lopes já tomou uma decisão quanto à sua candidatura à liderança do PSD e diz que a anunciará em breve, em declarações à SIC. No entanto, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi propositadamente ambíguo, deixando em aberto o sentido da decisão tomada.

"Quando tiver cumprido os meus deveres institucionais, com o Governo e com o meu partido, farei a confirmação do sentido da minha decisão. Não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada. Não estou condicionado por mais nada, nem por ninguém", acentuou Pedro Santana Lopes, numa declaração enviada à SIC e lida no Primeiro Jornal.

O DN sabe que a vontade do atual provedor da Santa Casa é mesmo avançar contra Rui Rio e já informou o primeiro-ministro e o ministro da Segurança Social desse cenário, o que o obrigaria a abandonar o cargo para o qual foi reconduzido por António Costa no ano passado. A decisão, apesar de ainda não ter sido anunciada, também já é dada como certa por fontes do partido, informação que começou a correr com maior insistência após o almoço de hoje de Santana com Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém.

Há precisamente uma semana, no habitual espaço de comentário político na SIC-Notícias, com o ex-ministro socialista António Vitorino, Pedro Santana Lopes admitiu estar a ponderar uma candidatura à liderança do PPD-PSD. "[Estou] a ponderar, obviamente", admitiu o antigo primeiro-ministro, depois de revelar que tem recebido muitas mensagens de incentivo da parte de elementos do partido.

O Conselho Nacional do PSD aprovou na segunda-feira a realização de eleições diretas para escolher o presidente do partido em 13 de janeiro e o Congresso em 16, 17 e 18 de fevereiro.

Até agora, apenas o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio agendou a apresentação pública da sua candidatura à liderança do PSD para quarta-feira, em Aveiro.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.