Sá Fernandes acredita em condenação de Afonso Dias

O advogado da família de Rui Pedro disse hoje contar com a condenação do homem acusado do rapto do menor de Lousada, considerando "justo" se tal vier a ocorrer.

"Podemos ter a certeza que o Rui Pedro entrou no carro deste homem [arguido] e foi com ele às prostitutas", afirmou Ricardo Sá Fernandes nas suas alegações finais. "Temos uma prova arrasadora", acrescentou.

O advogado começou as suas alegações, lendo, com a voz embargada, um excerto do depoimento, em audiência, de Filomena Teixeira, mãe do menor. "Palavras que retratam, com a força de uma mãe que perdeu o filho, a tragédia deste processo", sublinhou, enaltecendo a tenacidade e coragem da família.

O advogado disse rever-se na medida da pena "de mais de sete anos" de prisão pedida hoje pela procuradora do Ministério Público, Elina Cardoso.

Ricardo Sá Fernandes insistiu que a prova da acusação é sólida e foi abundantemente feita em audiência. Segundo o jurista, "Rui Pedro, de 11 anos, foi raptado para satisfazer uma tara, uma perversidade ou um negócio" do arguido Afonso Dias.

Ao longo de quase três horas de alegações, o advogado abordou os pontos essenciais da pronúncia, que foi corroborando, e sublinhou a importância dos depoimentos dos jovens que disseram terem visto Rui Pedro entrar para o carro do arguido. Destacou, a propósito, o que disse João André, primo de Rui Pedro, em audiência, quando garantiu ao tribunal que a ida às prostitutas tinha sido combinada na véspera a convite de Afonso Dias.

"Este senhor enganou Rui Pedro para o levar às prostitutas", afirmou, voltando-se para o arguido.

Sá Fernandes destacou também o facto de a prostituta Alcina Dias ter dito em audiência que foi Rui Pedro que esteve com ela em Lustosa no dia do desaparecimento (4 de março), após o qual a criança nunca mais foi vista.

Ao tribunal, o jurista reafirmou as críticas à primeira brigada da Polícia Judiciária que investigou o desaparecimento, a propósito de Alcina Dias só ter sido formalmente ouvida em 2008. "Foi um trabalho deplorável, com uma ausência completa de critério na investigação", vincou.

Ricardo Sá Fernandes reafirmou que "a luta da família" não termina com este julgamento, observando que só parará quando descobrir o que aconteceu ao menor.

O arguido ouviu as alegações de Sá Fernandes, fazendo-o quase sempre olhando diretamente para o advogado, mesmo quando este o interpelava com mais ênfase.

Olhando nos olhos do réu, Sá Fernandes criticou o seu silêncio em julgamento e concluiu que tal se deve ao facto de Afonso Dias esconder algo "de pior", como enfatizou.

"Ele tem o direito jurídico de permanecer em silêncio", afirmou ao coletivo, para se voltar de novo para o arguido e dizer-lhe: "O senhor não tem o direito moral de estar calado".

E concluiu o advogado: "Oxalá não tenha na sua consciência de responder por mais do que consta neste processo".

O arguido está pronunciado por um crime de rapto agravado.

A leitura do acórdão foi marcada para o dia 22 de fevereiro às 14:00.

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