"Rui Rio não tem obrigação de ganhar as legislativas"

Alberto João Jardim pede ao PSD que "tenha juízo" e lembra que o mandato de Rio é de "médio prazo".

Ele voltou. E continua sem papas na língua. Alberto João Jardim, o homem que durante 37 anos governou a Madeira e que mais vitórias eleitorais deu ao PSD, está de alma e coração ao lado do novo presidente do partido. Em entrevista à TSF, Jardim retira pressão a Rui Rio e diz que "não tem a obrigação de ganhar as legislativas". Avisa que o novo presidente não deve ser um líder a prazo, mas "de médio prazo" e que "o PSD tem que ter juízo". "O Rui Rio tem a obrigação de fazer tudo para ganhar as eleições, o que é diferente de estar obrigado a vencê-las. Aí quem decide é o povo", clarifica.

Antes de viajar para Lisboa, onde conta participar no 37º Congresso do PSD, Alberto João Jardim aponta na TSF aquelas que devem ser as duas grandes prioridades do novo presidente do partido. A começar pela revisão constitucional, um tema caro a Jardim. "Como sabe é necessário um entendimento com o PS", recorda, acrescentado ao mesmo tempo que "Rui Rio tem que colocar as coisas muito claras em cima da mesa, explicar aos portugueses porque é que é necessário fazer reformas constitucionais e depois encostar o PS à parede". Mas e se o PS disser que não? "Se eles disserem que não, então arrumam e assume as responsabilidades nas próximas eleições", atira Alberto João. E não foi isso que Passos Coelho tentou fazer? "Não. Ele defendia reformas avulso."

A segunda prioridade, definida por Jardim, também está escrita na agenda do ex-líder regional há muito: a regionalização. "Não há descentralização política sem uma regionalização do país no seu todo", explica Alberto João Jardim, mas, será que Rui Rio, que também já defendeu o mesmo no passado, o vai fazer, agora que é presidente do PSD? Alberto João lembra que não pode adivinhar o futuro mas confessa "o desejo" que ele o faça. Garantir, não posso garantir. Eu nem por mim meto as mãos no fogo."

"Passos Coelho não deixa saudades nenhumas"

Que a relação de Alberto João Jardim, nunca foi boa, isso já toda a gente sabia. Mas, nem agora que Passos Coelho está prestes a sair de cena, o ex-líder do Governo Regional da Madeira, deixa de lhe dar uma alfinetada final. "Ele não peca por ter saído tarde demais, ele peca por ter entrado na liderança do partido", atira, num estilo muito próprio, Alberto João. Rui Rio é, para o histórico líder madeirense "uma rutura com o passado recente, tanto do ponto de vista ideológico, como do ponto de vista estratégico e, finalmente, do ponto de vista das pessoas."

Na entrevista à TSF, Alberto João Jardim garante que a chegada de Rio ao poder lhe permitiu uma "reconciliação com o partido." É assim uma espécie de "reconciliação ideológica" explica Jardim que não gostou nada do que o partido andou a fazer nos últimos anos por "não ter nada a ver com aquele partido que era essencialmente português que era o PSD antes de Passos Coelho."

"PSD arrisca-se a perder na Madeira em 2019"

Jardim está "fulo" com Miguel Albuquerque. O homem que, em tempos, foi considerado o delfim do "jardinismo", há muito que decidiu seguir o seu próprio caminho. Afastou-se de Jardim e, quando a oportunidade surgiu, candidatou-se e ganhou, primeiro o partido, e depois o Governo Regional da Madeira.

O problema é que, agora, e pela primeira vez, surgiu uma sondagem que dá a derrota ao PSD nas regionais de 2019. O adversário de Miguel Albuquerque é Paulo Cafofo, o independente que preside com maioria absoluta à Câmara Municipal do Funchal. Alberto João Jardim não atribuiu grande valor político a Paulo Cafofo que considera "um candidato muito fraco", sem qualquer "pensamento político sobre as questões vitais do país". Mas dá grande relevância ao demérito de Miguel Albuquerque. "Eu não estou desiludido nem satisfeito, estou fulo", atira Jardim quando confrontado com o mandato que o atual presidente do Governo Regional está a fazer. "Estou fulo, irritado, zangado" continua, sem querer acrescentar outra coisa que não seja "obviamente faria uma política diferente da que ele está a fazer." À TSF, Jardim considera que "há o risco do PSD perder em 2019 se não mudar a agulha".

Veja a entrevista na íntegra no site da TSF

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