Roubo de gado passa o milhão de euros

Mais de dois mil bois e vacas roubados em dois anos estão a levar produtores ao desespero.

O roubo de gado em Portugal disparou nos últimos dois anos, lançando o desespero entre os produtores pecuários. Segundo uma estimativa da Associação Nacional de Engordadores Bovinos (ANEB), terão sido roubados perto de dois mil bois e vacas, prejuízo que supera um milhão de euros. Apesar de recentemente um grupo de produtores se ter juntado para desvendar uma das redes, radicada no norte do País e que actua entre o Ribatejo e o Alentejo, ainda não há qualquer detenção, embora as autoridades já tenham identificado vários indivíduos.

É um trabalho de profissionais, com altos recursos que lhes permite entrar nas várias propriedades com os camiões e carregar os exemplares mais valiosos. Depois de um rol de queixas junto das autoridades, transversais ao território nacional, um grupo de produtores cansou-se da falta de respostas e lançou mãos à obra, mantendo sob vigilância algumas propriedades.

A estratégia resultou em cheio e os suspeitos morderam o isco. Numa destas noites, roubaram 15 cabeças de gado em duas propriedades - uma em Montemor-o-Novo e outra em Porto de Mós -, bastando aos produtores pecuários perseguirem o camião até uma propriedade em Vila Real, em Trás-os--Montes, onde os animais foram recebidos.

"Chamámos as autoridades e provámos que era para ali que o gado roubado era conduzido", descreveu ao DN Vítor Menino, produtor do Montijo que liderou este processo, não entendendo a "ligeireza" com que os tribunais estão a tratar o caso.

"A propriedade foi colocada sob sequestro, tal como os animais, e não aconteceu mais nada", lamenta, garantindo terem os produtores fornecido todos os dados às autoridades sobre "quem roubou, quem comprou e até quem emitiu facturas falsas".

Além disso, insiste Vítor Menino, "alguns animais já estavam sem os brincos identificadores e outros tinham brincos falsos, que foram retirados na frente da GNR para poderem ir para o matadouro e serem comercializados, sem qualquer controlo sanitário, o que traduz uma ameaça para a saúde pública", denuncia este produtor da margem sul.

"Não entendemos esta impunidade depois dos frequentes roubos de monta de que temos sido vítimas", insiste, numa altura em que os 15 animais roubados já foram devolvidos aos proprietários pela Direcção Regional de Veterinária do Norte.

Contudo, continuam sem ser libertados, já que se encontravam sem as respectivas marcas auriculares e agora é necessário provar quem são os respectivos donos.

O presidente da ANEB, Aníbal Rodrigues da Silva, garante já ter havido novos roubos de gado depois do caso de Vila Real, que está a ser investigado pelo Ministé- rio Público junto dos tribunais de Porto de Mós e Montemor-o- -Novo.

Porém, segundo o mesmo dirigente, também em Setúbal, no Cartaxo e em Benavente decorrem processos idênticos, que, segundo Aníbal Rodrigues, envolverão a mesma rede de indivíduos que se dedicam a estes furtos .

Para o dirigente, a prioridade passa por aumentar a "fiscalização e sensibilidade" junto das autoridades para que este tipo de crime seja minimizado em Portugal. A reivindicação já foi transmitida ao Ministério da Agricultura, que alertou a ASAE para a necessidade de intensificar as investigações sobre a origem da carne que está a chegar ao mercado.

Os suinicultores são outros dos produtores atingidos pelos roubos, com vários casos registados este ano. Na Internet, numa página de suinicultura, foi mesmo lançado um alerta aos agricultores para denunciarem sempre que sejam vítimas de furtos de animais, e para terem atenção a determinados veículos suspeitos que circulem junto das suas propriedades, referindo-se sobretudo a carrinhas com toldos, já preparadas para transportar os animais.

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