Risco nas Zonas Urbanas Sensíveis "mantém-se elevado"

O grau de risco nas Zonas Urbanas Sensíveis (ZUS) mantém-se elevado, sendo áreas que comportam "diversos fatores de risco" que justificam uma abordagem no quadro de ameaças à segurança, indica o Relatório de Segurança Interna de 2011.

O documento, hoje divulgado, destaca que, em 2011, as ZUS, essencialmente concentradas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, "configuraram-se como espaços que mantêm a sua forte relevância no aparelho securitário, não apenas pela concentração de grupos e de atividades criminosas, mas também por se assumirem como territórios eficazes para a mobilização de indivíduos com predisposição significativa a ações de subversão contra a autoridade do Estado".

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2011 adianta que estas áreas comportam "diversos fatores de risco que, pela sua matriz criminosa, justificam uma abordagem, a título preventivo, no quadro de ameaças à segurança interna".

Apesar de, em 2011, o cenário de crise generalizada não ter causado situações de tensão nas ZUS, o grau de risco mantém-se elevado devido à "permeabilidade destas populações à instrumentalização e mobilização para a ação subversiva, por parte de grupos de intervenção social antissistema, que exploram, de forma oportunista, os problemas reais das comunidades, direcionando responsabilidades e motivando indivíduos jovens para a integração de plataformas de luta antissistema ou movimentos de resistência contra a autoridade do Estado", lê-se no RASI.

O documento dá conta que os crimes assumem "contornos progressivamente mais violentos e mais graves", apesar do decréscimo da criminalidade violenta e grave em 2011.

Estes crimes violentos são praticados por cidadãos portugueses ou residentes em território nacional, especialmente em ZUS e malhas degradadas dos grandes centros urbanos, sendo também desenvolvidos por grupos estrangeiros, que "de modo persistente, praticam uma criminalidade itinerante" no país e exploram "um amplo leque de ilícitos criminais, recorrendo a modus operandi inovadores e conexos com um elevado nível de organização, planeamento, sofisticação e, em alguns casos, inusitada violência", refere o RASI.

Sublinha ainda que o mercado do comércio ilícito de armas tem mantido as suas dinâmicas promovidas por redes informais, utilizando, especialmente, as ZUS, não só para a venda direta mas, também, para o aluguer de armas a utilizar na prática de crimes.

No capítulo "análise das principais ameaças à segurança interna", o relatório destaca ainda a atividade de alguns grupos 'biker', que, em determinados casos, estão associados a diversas práticas criminais, inclusivamente de natureza violenta.

Em 2011, este sector alargou as estruturas de apoio à sua atuação em Portugal.

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