Respostas de Sócrates deixam dúvidas

56% dos portugueses querem continuidade de Sócrates e acreditam que Executivo levará  o mandato até ao fim.

Veredicto dos portugueses: José Sócrates não se portou da melhor forma na polémica da PT/TVI, mas deve continuar no Governo. Após a divulgação de escutas que envolvem o primeiro-ministro num alegado plano para controlar os media, oito em cada dez portugueses (79%) consideram que José Sócrates deixou "coisas por esclarecer" ao longo de todo o processo e apenas 10% acreditam que "esclareceu completamente" o seu envolvimento.

Apesar disso, o primeiro-mi- nistro continua a merecer a confiança da maioria dos portugueses, com cerca de 56% dos inquiridos a considerarem que o socialista deve continuar no cargo. Estes resultados são revelados por uma sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, TSF e Antena 1, que revela igualmente que só menos de um terço dos portugueses (31%) acha que o primeiro-ministro deve abandonar o cargo.

Porém, não foi por falta de conhecimento do processo "Face Oculta" que os eleitores mantiveram a confiança em Sócrates. Isto porque, 9 em cada 10 portugueses garante que "ouviu falar" em escutas que envolvem o primeiro-ministro. Algo que não terá feito grande estrago na imagem do chefe do Governo, uma vez que 60% dos inquiridos não mudaram de opinião relativamente a José Sócrates. Número que contrasta com os cerca de 31% que ficaram desiludidos com o primeiro-ministro e com os escassos 4% que passaram a admirar mais Sócrates após a polémica.

Sócrates não pode, porém, respirar de alívio. É que os portugueses estão de olho no seu envolvimento no processo "Face Oculta". A maioria (55%) segue com interesse a ligação do primeiro-ministro ao caso, ainda que seja de assinalar que apenas 17% revelam ter "muito interesse", enquanto os restantes 38% assumem ter "algum interesse" na matéria. De registar ainda um número elevado de pessoas para quem o assunto não merece grande atenção (44%). Um grupo que se divide entre um quarto dos inquiridos (25%), que diz ter "nenhum interesse" e uns consideráveis 19% que garantem ter "pouco interesse" em seguir o envolvimento de José Sócrates no caso "Face Oculta".

Curiosamente, a mesma percentagem de pessoas que considera que Sócrates deve continuar no cargo (56%) acredita que o Executivo socialista vai chegar "até ao fim" do mandato. Por outro lado, menos de um terço (30%) acredita que vão ser chamados às urnas antes de 2013 em cenário de eleições antecipadas.

De qualquer forma, seja qual for o desenrolar de todo o processo, os portugueses recusam o "cenário Santana". Na eventualidade de José Sócrates abandonar o Governo, a grande maioria dos inquiridos (65%) acredita que o melhor para o País é a realização de eleições antecipadas, sendo que apenas 23% defendem a nomeação de um novo primeiro-ministro por parte do PS ou do Presidente.

Em tempos que se avizinham de instabilidade política, os portugueses dão assim um sinal a Cavaco Silva e à oposição de que não se arrependem da escolha que fizeram em Setembro. Em Portugal, nunca um primeiro-ministro perdeu uma reeleição. Apesar do mediatismo do caso PT/TVI, Sócrates ajuda a confirmar a tendência nacional que as sondagens e, principalmente, os escrutínios costumam confirmar: nunca os portugueses se arrependem de quem elegem.

Ficha técnica :

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de
Notícias e o Diário de Notícias entre os dias 6 e 9 de Março de 2010. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram seleccionadas aleatoriamente dezanove freguesias do
país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II (2001) e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A selecção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2002 e 2005 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% do resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram seleccionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1148 inquéritos válidos, sendo que 54% dos inquiridos eram do sexo feminino, 40% da região Norte, 17% do Centro, 31% de Lisboa e Vale do Tejo, 7% do Alentejo e 5% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residentes no Continente por sexo (2007) e escalões etários (2007), na base dos dados do INE, e por região e habitat ma base dos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 49,6%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1148 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

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