Relatório: Internamentos aumentaram 15% em 5 anos

Os internamentos hospitalares por doença respiratória aumentaram cerca de 15 por cento em cinco anos, sendo as pneumonias responsáveis pelo maior número de hospitalizações: mais de 50 mil em 2008, segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias.

"Continua a verificar-se um aumento da incidência das doenças respiratórias, que se traduz num aumento do número de internamentos" e da mortalidade, disse à agência Lusa o presidente do Observatório, Teles de Araújo.

Segundo o documento, que será divulgado hoje, em 2008 foram internados 73 880 pessoas que tinham como diagnóstico principal uma doença respiratória, o que representa um aumento de 14,8 por cento em relação a 2003.

O peso das pneumonias nos internamentos hospitalares continua a aumentar: em 2008 registaram-se 50 890 hospitalizações com esse diagnóstico principal (8,7 por cento dos internamentos), um aumento de 18,9 por cento face a 2003 (7,9 por cento).

Os internamentos por doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) são a segunda causa de internamento por doença respiratória e apresentam grande variabilidade de ano para ano. No ano passado foram internados com este diagnóstico principal 9301 doentes.

Também os internamentos por cancro do pulmão têm aumentado de forma consistente. Foram 6870 em 2008, um aumento de 22 por cento em cinco anos.

"Este aumento dever-se-á não só a um aumento do número de casos, como aos progressos terapêuticos que tendem a tornar a doença uma doença crónica", sublinha o quinto relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), divulgado no dia em que é apresentada a Fundação Portuguesa do Pulmão.

Por sua vez, diminuíram os internamentos hospitalares por tuberculose e por asma neste período (32,7 e 11,8 por cento respectivamente).

Na sua globalidade, as doenças respiratórias foram responsáveis por 12,8 por cento dos internamentos médicos em 2003 e 19,7 por cento em 2008.

Para Teles de Araújo, Portugal ainda está "a falhar muito na área da prevenção das doenças respiratórias, que passam especialmente pelo tabagismo e pelo ambiente interior".

Segundo o ONDR, o tabaco é o principal responsável pelas doenças respiratórias (85 a 90 por cento dos cancros do pulmão e 85 por cento das DPOC).

Dados do Inquérito Nacional de Saúde referem que a percentagem actual de fumadores entre os 25 e os 44 anos é de 45,7 por cento nos homens e 17,15 por cento nas mulheres. Entre os 15 e os 24 anos fumam 25 por cento dos homens e 10,5 por cento das mulheres.

As metas do Plano nacional de Saúde de reduzir até 2010 para cerca de metade a percentagem de fumadores nesses grupos estão longe de serem alcançadas, sublinha o ONDR. Trabalhos recentes indicam que a percentagem de fumadores entre os adolescentes é considerável, não mostra tendência para abrandar e identificam-se diversos factores de dependência.

A mortalidade geral da população portuguesa (INE) por doença respiratória foi, em 2006, de 11 512 óbitos, constituindo a terceira causa de morte por doença, depois das doenças do aparelho circulatório e dos tumores malignos.

Entre 2002 e 2006 a mortalidade geral por pneumonia aumentou 29,1 por cento, por cancro do pulmão 5,3 por cento e por DPOC 5,7 por cento.

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