Reformados duvidam das palavras de Passos

As associações de reformados e pensionistas duvidam da promessa feita pelo primeiro-ministro de não fazer uma reforma da segurança social até 2015, continuando por isso "preocupadas" com novos cortes.

A presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE), Rosário Gama, diz-se "cética" em relação à garantia dada por Pedro Passos Coelho na festa do PSD, no Pontal, de que não iria "fazer rigorosamente mais nenhuma proposta para reformar a Segurança Social até às eleições de 2015".

As declarações do primeiro-ministro surgem um dia depois de o Tribunal Constitucional (TC) ter considerado inconstitucionais duas normas do diploma que criava a Contribuição de Sustentabilidade da Segurança Social.

Para os reformados e pensionistas, o compromisso assumido por Passos Coelho não significa que não haverá novos cortes.

"Eu gostaria de não ser tão cética, mas tenho alguma dificuldade em acreditar em promessas porque já fomos traídos muitas vezes", disse à Lusa a presidente da APRE, lembrando que "quando acaba uma medida, imediatamente surge outra para a substituir".

Rosário Gama lembrou que já durante a campanha eleitoral Passos Coelho "prometeu não mexer nas reformas, mas mexeu".

"Ele diz que não vai fazer nenhuma reforma mas também não diz que não vai fazer cortes, portanto não sabemos se o orçamento de 2015 traz algum corte sem reforma, que é o que tem acontecido", disse.

"Se, eventualmente, o facto de dizer que não vai fazer reformas significar que não vai fazer cortes nas pensões e que vai cumprir a sua palavra então serão uns meses de tranquilidade. Se eventualmente estas condições não se verificarem, então acabou-se novamente a tranquilidade a partir de janeiro de 2015", alertou Rosário Gama.

Também o presidente da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (Murpi), Casimiro Menezes, não ficou descansado com as declarações de Passos Coelho.

"Não podemos ficar tranquilos perante estas afirmações", afirmou Casimiro Menezes.

Para o presidente do Murpi, "o primeiro-ministro está longe de ter desistido de fazer alguma alteração na segurança social", querendo apenas "comprometer o PS nesta via de agravar cada vez mais a Segurança Social no futuro".

Pedro Passos Coelho desafiou, na noite de sexta-feira, o PS a participar na elaboração de uma reforma da Segurança Social que seria posta no terreno apenas depois das eleições de 2015.

Para Rosário Gama esta proposta deveria estender-se aos restantes partidos da oposição - Bloco de Esquerda e PCP - que têm defendido "uma segurança social pública, tal como o PS".

Para a dirigente associativa, é preciso alterar as formas de financiamento da segurança social, uma vez que o modelo atual - em que contribuem os trabalhadores e entidade patronal - não é viável a longo prazo com a diminuição do emprego.

Rosário Gama lembrou que existem muitas propostas já apresentadas por associações, como a APRE, e por economistas que não passam por uma reforma que leve à privatização da segurança social e à simples alteração dos cálculos feitos para a reforma.

"Não se pode fazer uma reforma só com cortes, porque isso não é reforma nenhuma", critica a presidente da APRE, que considera que a proposta da Contribuição da Sustentabilidade era isso mesmo.

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