Recluso agride quatro guardas prisionais por causa de turbante

Incidente deu-se esta manhã na prisão de Paços de Ferreira.

Quatro guardas prisionais da prisão de Paços de Ferreira foram hoje de manhã agredidos "de forma intempestiva" por um recluso, tendo ido ao hospital apenas por precaução, confirmou à Lusa a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, tinha explicado à agência Lusa que o incidente ocorreu hoje de manhã, no refeitório do estabelecimento prisional, tendo sido originado pela ordem dada pelos guardas para que o recluso retirasse o turbante da cabeça.

Em resposta por escrito, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais "informa que esta manhã um recluso do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, de forma intempestiva, agrediu quatro elementos do Corpo da Guarda Prisional", tendo estes se deslocado "por precaução, ao hospital para serem avaliados", após o que regressaram à prisão.

"Em conformidade com o legalmente previsto neste tipo de ocorrências foi instaurado o competente processo disciplinar e feita comunicação ao Ministério Público", conclui.

Segundo Jorge Alves, um dos elementos do Corpo da Guarda Prisional, no cumprimento dos regulamentos da prisão, mandou o recluso - de nacionalidade marroquina - retirar o turbante que trazia na cabeça, o que gerou uma situação de conflito "e na tentativa de imobilização do recluso os guardas acabaram por se magoar".

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional disse ainda que os ferimentos foram ligeiros.

Segundo Jorge Alves, o incidente não tem relação com a greve de sete dias dos guardas prisionais que terminou hoje às 10h00 e que, de acordo com o sindicalista, terá tido uma adesão superior a 90 por cento nos 49 estabelecimentos prisionais.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...