Rangel, José Eduardo e surpresas: Esta tarde ou o congresso aquece ou arrefece

Pedro Duarte, José Eduardo Martins e Paulo Rangel vão hoje agitar a reunião magna com intervenções

Quem quiser criticar o líder em Congresso, ou fala hoje, ou só daqui a dois anos. Mas a tarde e a noite prometem. José Eduardo Martins já anunciou que vai meter pressão na liderança de Passos, Rangel faz-se sempre ouvir e ainda há expectativa dos ex-líderes que podem aparecer. Hoje, ou o Congresso aquece, ou arrefece.

Pela manhã, o antigo vice-presidente da bancada laranja - um dos críticos que vai discursar hoje - José Eduardo Martins colocou pressão em Passos Coelho: as autárquicas são para ganhar. "O que tem acontecido sempre é que os partidos no governo são penalizados nas autárquicas (...), se se mantiver a solidez que o nosso presidente antecipa em relação à coligação de esquerda, e se a coligação de esquerda estiver a governar, evidentemente eu acho que temos a obrigação de ganhar as autárquicas".

O ex-ministro Luís Marques Guedes desvalorizou um eventual confronto que possa hoje ocorrer, defendendo que "o contributo do José Eduardo Martins é seguramente um contributo construtivo. José Eduardo Martins é um social-democrata de gema, é uma pessoa que já deu muito ao partido em várias funções, e entende neste momento continuar a dar numa postura de crítica construtiva". Para Marques Guedes quem as declarações e ideias de quem pensa de uma forma "um bocadinho diferente" da direção são "bem-vindas". E acrescenta: "É para isso que servem os congressos".

O dia também traz uma grande expectativa sobre quem discursará e o que cada um dirá. Há vários ex-líderes ausentes: Ferreira Leite, porque não quer, Marques Mendes porque é comentador e Marcelo porque é Presidente. Marques Guedes até disse esta manhã que já tem "saudades" dos tempos em os congressos tinham Marcelo.

Já sobre Santana Lopes - que normalmente decide por impulso, sendo provável que acabe por marcar presença - subsiste a dúvida, bem como sobre Durão Barroso (cuja presença é menos provável). O DN questionou ambos, mas ainda não obteve resposta sobre se virão ao congresso e se falarão. Quem já é certo que falará é Paulo Rangel, que, regra geral, consegue discursos que agitam as hostes laranjas.

Rangel pode ter aqui um posicionamento para o pós-Passos, tal como o líder parlamentar Luís Montenegro. Os dois pegaram-se, ao de leve, antes do Congresso. Rangel foi ao ponto de criticar a oposição suave do partido e Montenegro respondeu que a oposição estava a ser feita e não tem de ser agressiva.

A antiga ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz também alinha com Montenegro tendo esta manhã elogiado o discurso de Passos Coelho, que acredita ter sido "muito claro". Para a antiga governante "é evidente que muitos gostariam que a oposição fosse histriónica, mas não é essa a nossa maneira de estar", pois, como líder da oposição, esta nunca será "barulhenta" e "vazia de significado".

Depois ainda há Pedro Duarte, que tem alertado para a necessidade do partido mudar de rumo após este congresso, voltando aos valores de Sá Carneiro. Embora tenha dito ao DN que vai voltar já na segunda-feira à sua vida profissional, (como diretor da Microsoft), admite vir a "reequacionar" a ideia de não voltar à política ativa.

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