"Atentado contra a natureza" em ribeira do concelho de Trancoso

A Quercus pede investigação "célere e rigorosa" para as descargas poluentes verificadas na ribeira do Vale Azedo, afluente do rio Távora

A associação ambientalista Quercus pediu esta quarta-feira uma investigação "célere e rigorosa" para as descargas poluentes verificadas numa ribeira afluente do rio Távora, no concelho de Trancoso, distrito da Guarda.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a direção nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, denuncia "mais um atentado contra a Natureza e lesivo da qualidade da água".

Segundo a fonte, as descargas poluentes aconteceram no lugar de Sintrão, freguesia e concelho de Trancoso, na bacia hidrográfica do rio Douro, "mais concretamente na Ribeira do Vale Azedo, afluente do rio Távora".

A Quercus apela à Agência Portuguesa do Ambiente para "que seja célere e rigorosa na investigação de mais este caso de poluição, de modo a que os responsáveis não fiquem impunes e sejam levados à justiça"

A Quercus adianta que a jusante do local onde a descarga ocorreu existem "várias captações de água para consumo humano".

Na nota, João Branco, presidente da direção nacional da associação, apela à Agência Portuguesa do Ambiente para "que seja célere e rigorosa na investigação de mais este caso de poluição, de modo a que os responsáveis não fiquem impunes e sejam levados à justiça".

A associação ambientalista denuncia que as descargas poluentes "continuam a contaminar linhas de água em Portugal" e que existe "poluição da água em Trancoso enquanto decorre o 'Fórum Mundial da Água' em Brasília", no Brasil.

As últimas informações obtidas pela Quercus apontam para que "apenas cerca de metade das massas de água em Portugal estejam classificadas como em 'Bom estado', de acordo com as exigências comunitárias".

A nota refere ainda que "46% das massas de água têm qualidade inferior ao exigido pela União Europeia e cerca de 32% são afetadas por poluição de origem agroindustrial e/ou agropecuária".

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