Quatro em risco de cegar após operação em clínica privada

Quatro doentes estão internados nos Capuchos com endoftalmite, infecção que pode cegar. Mulher de 35 anos tem os dois olhos afectados.

Quatro pessoas estão internadas no Hospital dos Capuchos na sequência de cirurgias aos olhos na I-Qmed, uma clínica de oftalmologia de Lagoa, Algarve, que também se dedica às especialidades de otorrino, psiquiatria e beleza. Foi-lhes diagnosticada endoftalmite, uma "inflamação gravíssima" que pode levar à cegueira e que terá sido provocada por uma bactéria, factos a ser investigados pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde. A clínica fechou.

Os doentes são duas mulheres e dois homens, sendo que a doente mais nova tem 35 anos e as duas vistas afectadas, o que terá acontecido durante a intervenção para a colocação de lentes intra-oculares. As outras três pessoas, uma com 65 anos e duas com 80 e 88 anos, foram operadas às cataratas. Estes casos foram avançados pela SIC e, segundo apurou o DN, o médico que as operou é holandês, encontrando-se na sede da clínica, na Holanda. É esse o motivo pelo qual ainda não foi ouvido pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que já o notificou para se deslocar a Portugal. A equipa da inspecção encontra-se no terreno para investigar as condições de funcionamento e de higiene do centro médico e equipamentos utilizados durante as cirurgias, incluindo o contacto com outros utentes. Além de querer apurar a situação legal e os acordos existentes. E já falou com os doentes que estão em Lisboa, esperando-se uma decisão o mais rápido possível.

O delegado regional de saúde do Algarve disse ao DN que a situação lhe foi participada a 26 de Julho, através do Hospital de S. José, tendo ordenado de imediato um inquérito e a suspensão da actividade da I-Qmed. Mas esta já estava encerrada desde o dia 23, alegadamente "para obras".

Os doentes ainda se encontram nos Capuchos, unidade hospitalar especializada em oftalmologia do Hospital de S. José. Segundo o DN apurou, trata-se de uma "situação gravíssima", sendo o caso mais preocupante o da mulher de 35 anos. A endoftalmite "é uma inflamação possivelmente causada por uma infecção bacteriana ou fúngica e que afecta todas as camadas internas do olho, o líquido do olho (humor vítreo) e o branco do olho (esclerótica)". Poderá ser causada por uma bactéria durante a cirurgia, nomeadamente através dos equipamentos utilizados. Os manuais médicos indicam que a endoftalmite é uma urgência médica. E que "o tratamento deve começar de imediato. Um atraso, inclusivamente de poucas horas, pode degenerar em cegueira. De imediato são administrados antibióticos e corticosteróides. Talvez seja necessário recorrer à cirurgia para drenar o líquido que se encontra dentro do globo ocular".

Tratar-se-á de um caso muito complicado, o "mais grave" na área da oftalmologia dado o número de pessoas envolvidas.

A I-Qmed é uma clínica holandesa e estava em processo de licenciamento há cerca de um ano. A Delegação Regional de Saúde do Algarve é a responsável por licenciar esta unidade de saúde. O director clínico é F. F. H. Versteeg, sendo apresentado como " um dos pioneiros a usar a técnica LASIK (1996)" e que faz implantes de lentes refractivas desde 1987. Trabalha na sua clínica privada Eye-Q- -Vision, na Holanda, e na clínica I--Qmed.

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