Quatro detidos por suspeita do furto de 1,3 toneladas de cortiça

Fonte da GNR disse que este tipo de crimes é frequente na região

Quatro homens foram detidos no sábado no concelho de Coruche, distrito de Santarém, por suspeita de serem os autores do furto de 1.300 quilogramas de cortiça, revelou esta terça-feira a GNR.

Os suspeitos, com idades entre os 18 e os 48 anos, foram surpreendidos por um trabalhador da herdade onde se encontrariam a furtar a cortiça, em São Torcato, no concelho de Coruche, tendo-se posto em fuga.

No local deixaram um veículo carregado com a cortiça furtada, pesando cerca de 1,3 toneladas, e diversos utensílios utilizados na sua recolha, esclarece um comunicado do Comando Territorial de Santarém da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Militares do posto territorial de Coruche conseguiram localizar e deter os suspeitos, numa estrada secundária, perto da Branca, outra localidade do concelho.

Os quatro foram detidos, constituídos arguidos e sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência, afirma a nota.

Fonte da GNR disse que este tipo de crime, de natureza semipública, é recorrente na região, sendo que frequentemente a dificuldade reside na decisão dos proprietários de não apresentarem queixa

Como exemplo referiu o furto de cerca de 700 quilogramas de cortiça de uma propriedade no concelho de Abrantes, ocorrido na semana passada, em que os militares tiveram que desenvolver várias diligências para apanhar os assaltantes, que depois ficaram impunes, uma vez que o dono não quis apresentar queixa.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...