Quase 90 crianças morreram em acidentes de viação entre 2007 e 2011

Perto de 90 crianças menores de 14 anos morreram e mais de 16 mil ficaram feridas na sequência de acidentes rodoviários ocorridos entre 2007 e 2011, revelam dados do Automóvel Clube de Portugal (ACP).

As estatísticas referem que a evolução da sinistralidade tem mostrado "um consistente decréscimo" nos últimos cincos anos, com o número total de vítimas a descer 21,1% e o de mortos a cair para menos de metade.

No entanto, em 2011, 2.936 crianças ainda sofreram lesões corporais em acidentes de viação, "o que mostra que ainda há um enorme trabalho pela frente", sublinha o ACP.

Os dados do ACP servem de apoio a um inquérito nacional realizado pelo Automóvel Clube de Portugal, em colaboração com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e a Cybex, que será divulgado hoje e teve como objetivo estudar os comportamentos dos automobilistas ao transportar crianças.

Na sequência deste estudo é lançada a campanha "A segurança responsável", com o objetivo de sensibilizar para a importância do uso de um sistema de retenção de crianças seguro e verificar a sua correta utilização, refere o ACP.

Entre 2007 e 2011, 88 crianças morreram vítimas de acidentes, metade dos quais ocorreram dentro das localidades.

A maior parte das vítimas mortais (36) tinha entre 10 e 14 anos, 21 entre os seis e os nove anos, 20 entre os dois e os cinco anos e 11 tinham até um ano.

Verificaram-se 807 feridos graves vítimas de acidentes, dos quais 577 (71,5%) ocorreram dentro das localidades, e 15.549 feridos leves, cuja maioria dos desastres (75,7%) também aconteceu no interior das localidades.

O ACP refere que a percentagem de vítimas que não usava sistemas de retenção nem cinto de segurança na altura do acidente "aumenta muito consideravelmente com a gravidade da lesão".

Segundo os dados, metade das vítimas mortais dos acidentes que ocorreram dentro das localidades não utilizavam sistema de retenção ou cinto de segurança, assim como 22,8% dos feridos graves e 8,4% dos ligeiros.

O mesmo se verificou em 27,8% das mortes ocorridas fora das localidades, em 13,4% dos feridos graves e 5,8% dos feridos ligeiros.

Mais de metade das crianças que sofreram lesões corporais seguia em veículos ligeiros (52,3% dos mortos, 37,5% dos feridos graves e 58,7% dos feridos leves).

Apesar do número de crianças até aos 14 anos anos vítimas de acidentes, como passageiros de veículos ligeiros, também vir a reduzir de forma sustentada, decresceu nos últimos cinco anos menos do que o número geral de vítimas da mesma faixa etária (16,9% contra 21,1%), tendo-se cifrado em 1.688 crianças com lesões corporais em 2011.

O número de crianças vítimas dentro das localidades, como passageiros de veículos ligeiros, representa 60,7% do total, mas o número de vítimas mortais e de feridos graves é substancialmente maior fora das localidades (82,6% dos mortos e 62,4% dos feridos graves).

"Tal deve-se ao facto da velocidade de embate ser, em média, muito maior fora do que dentro das localidades", explica o ACP.

As alterações ao Código da Estrada, já aprovadas em Conselho de Ministros, preveem a redução da altura das crianças que são seguras por sistemas de retenção, passando dos atuais 1,50 metros para os 1,35 metros.

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