Quase 30% dos missionários adultos largaram emprego

Mulheres e universitários são a maioria. Mas sobe o número de jovens adultos que largam o emprego para ajudar num país distante.

Universitários, reformados e jovens adultos, ainda sem emprego ou que tiram licença sem vencimento. E também muitos casais novos que, antes de constituírem família, lançam-se numa experiência missionária. São cada vez mais os voluntários portugueses em missão no estrangeiro. Este ano foram 381, mais 98 do que em 2008.

Além da mensagem cristã, na bagagem levam tempo e sabedoria, essenciais a um terceiro mundo em desenvolvimento. Na volta trazem o coração cheio, o sentimento de dever cumprido, e uma lição comum: a felicidade, afinal, passa menos pelo conforto e mais pela disponibilidade ao próximo.

O número de missionários tem vindo a crescer mas este ano a subida foi quase de 40%. A maioria são mulheres e universitários mas há também cada vez mais adultos que largam o emprego, pedindo licença sem vencimento, ou despedindo-se. Entre esses estão já 29%.

Ana Patrícia Fonseca, da Fundação Evangelização e Cultura, explica o fenómeno pelo contágio. "Nos últimos 20 anos, partiram três mil missionários. Quando chegam, acabam por entusiasmar outros e gera-se um efeito bola de neve", conta a jovem de 31 anos, também ela protagonista de uma missão no Brasil, já lá vão sete anos.

A especificidade da missão passa pelas necessidades locais e pelos projectos de cada entidade, seja uma organização não governamental, paróquia, ou grupo universitário. As principais áreas de acção são educação, saúde, educação para a saúde e acção social.

"Vão integrar projectos que estão no terreno e levam tarefas específicas", diz Ana Patrícia Fonseca, salientando a importância da formação e das congregações religiosas que, a viver nas comunidades há muitos anos, fazem a ponte entre quem chega e quem está.

Mesmo que permaneçam por um período curto - a maioria vai entre 15 dias a seis meses -, acabam por deixar um contributo, continuado pelos voluntários que chegam depois. Muitos, deslumbrados com a experiência, acabam por se alistar outra vez e regressar.

Como são organizações ligadas à Igreja Católica, os voluntários fazem ainda trabalho pastoral, colaborando nas paróquias, animando jovens ou dando catequese.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG