Quanto vale a família na política?

Especialistas dizem que a presença da família na política mostra equilíbrio e apela a eleitorado mais conservador

A referência à família e a presença desta têm sido uma marca distintiva no percurso político de Assunção Cristas. Ontem, o marido e os filhos, os pais e os irmãos e sobrinhos assistiram ao discurso da líder do CDS, que no final lhes deixou uma palavra de agradecimento dizendo que sem eles nada teria sido possível. Já no sábado, a ex-ministra escolheu falar da família e de como sendo a filha do meio de cinco irmãos percebeu a importância do "diálogo" e do "consenso". Desta forma, dizem os especialistas em criação e gestão de marcas contactados pelo DN, Cristas mostra que é possível o equilíbrio entre a vida familiar e política, passando uma ideia de estabilidade e apelando ao eleitorado mais conservador.

A primeira mulher grávida enquanto ministra em Portugal é mãe de quatro filhos - Maria do Mar (de 14 anos), José Maria (de 12), Vicente (de 10) e Maria da Luz (de 2) -, com os quais tenta passar o máximo de tempo possível. É uma mulher dedicada à família, o que é visto com agrado pelos militantes ouvidos pelo DN. Manuel Isaac, deputado eleito pelo círculo de Leiria, contou que mesmo quando estava em campanha a ex-ministra passava o fim de semana com o marido e os filhos, que chegavam ao final do dia de sexta-feira. Já Paulo Portas disse algumas vezes que as reuniões do partido passaram a realizar-se durante o dia para que a ex-ministra pudesse dar assistência à família.

No dia em que assumiu a liderança do CDS-PP, a família - desta vez mais alargada - mostrou todo o seu apoio. Carlos Coelho, especialista em gestão de marcas, considera que a presença da família na política "dá uma perceção positiva da pessoa, sobretudo porque se trata de uma mulher". Isto porque, explica, normalmente essa questão não se coloca no caso dos homens. "O contraponto é Marcelo Rebelo de Sousa ser um homem só, não apresentar primeira-dama."

A família "é um alicerce ligado a valores profundos, que dá sustentabilidade social a uma mulher que está pela primeira vez num cargo que sempre foi ocupado por homens." E é "coerente" com a sua imagem de marca. Carlos Coelho frisa que Assunção Cristas mostra "o equilíbrio entre a política e a família", algo que considera "bastante positivo."

Já Ricardo Miranda, especialista em criação de marcas da Brandia, diz que "a família é tradicionalmente usada por políticos mais conservadores, uma forma de dizerem que são pelos valores clássicos, pela família", o que, frisa, está em linha com o posicionamento do CDS-PP, inspirado pela democracia cristã. Será marketing político? Não. "É mais uma estratégia de comunicação. Apela a um eleitorado mais conservador, mais centrado na família", esclarece.

Genericamente, a atitude da ex-ministra será vista de uma forma positiva. "Dá ideia de estabilidade, no sentido de que é alguém que se compromete com a família, em cuidar dela." Por outro lado, Cristas apresenta-se como "mulher moderna", que está na política e defende a "emancipação das mulheres." Ricardo Miranda lembra que "é sempre mais difícil ser mulher na política porque as pessoas tendem a ser mais duras com as mulheres." Se por um lado é uma pessoa equilibrada com a família, a ex-ministra é também "uma mulher de garra, que tem força."

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