Mota Pinto diz esperar que PS esteja disponível para entendimentos

Antigo vice social democrata reafirmou que exclui um Bloco Central

O antigo vice-presidente do PSD Paulo Mota Pinto defendeu este sábado entendimentos em "áreas setoriais" entre os sociais-democratas e os socialistas, dizendo esperar que o PS esteja disponível para esses consensos.

À margem do 37.º Congresso do PSD, que decorre até domingo, em Lisboa, Mota Pinto defendeu aos jornalistas esses entendimentos, excluindo um Bloco Central como o que "existiu historicamente" numa "situação de pré-catástrofe" económica.

Quanto a viabilizações de governo, Mota Pinto disse esperar que seja "o PS a estar nesse dilema" face a um executivo do PSD.

"Diferente disso é haver entendimentos em áreas setoriais, sobre políticas que requerem uma base alargada porque requerem um período de tempo superior a uma legislatura e é necessário que haja uma convergência. É evidente que é necessário que haja uma convergência, esperemos que PS esteja disponível para isso também", defendeu.

Para Mota Pinto, "do lado do PS e do Governo há um ónus, de estar disponível para esses entendimentos".

"O Bloco central é uma realidade que existiu historicamente no país em estado de necessidade, isto é, numa situação de pré-catástrofe, de catástrofe financeira. É algo que não está, nem estará em cima da mesa, foi dito claramente na campanha", sublinhou, referindo-se às afirmações de Rui Rio na campanha interna dos sociais-democratas.

O antigo deputado e antigo vice-presidente de Manuela Ferreira Leite vincou que, "outra questão, é saber se alguma vez, algum dia, o partido menos votado dos dois grandes partidos viabilizará um governo do outro partido".

"Isso é uma outra questão, que agora não se põe, neste momento o país tem um Governo apoiado por uma maioria no parlamento, que foi formada pelo partido que não foi o partido mais votado. Isso é um problema que, a seu tempo se verá. Eu espero que seja o PS a ter esse dilema, a saber se viabiliza ou não um governo do PSD", declarou.

Questionado sobre possíveis áreas para entendimentos, Mota Pinto lembrou que, no discurso de sexta-feira ao Congresso, o novo líder do PSD, Rui Rio, já mencionou a área da justiça, à qual acrescentou a estabilidade fiscal.

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