PSD sem alternativa a Teresa Morais para fiscalizar as secretas

PS rejeitou o nome da ex-ministra dos Assuntos Parlamentares. Bancada social-democrata diz que é um "veto político".

O PSD não tem alternativa ao nome de Teresa Morais para a presidência do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República e vai insistir para que seja a ex-ministra dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade a assumir o cargo, sabe o DN.

Depois de o PS ter vetado o nome de Teresa Morais, e de não ter apresentado as razões para a rejeição - apenas foi usado o argumento de não ter "perfil adequado ao cargo" -, o grupo parlamentar do PSD reuniu na quinta-feira para debater o problema e vários deputados sociais-democratas manifestaram indignados. Defenderam a persistência no nome da deputada, sobretudo porque consideram que foi posta em causa a sua "honorabilidade".

Aliás, o líder da bancada social--democrata verbalizou isso mesmo, numa reação muito forte contra a decisão do PS. Luís Montenegro acusou o PS de ter aberto "uma ferida profunda no relacionamento interpartidário". Montenegro pediu mesmo a intervenção do primeiro-ministro e líder do PS neste processo.

A indicação de Teresa Morais para a presidência do Conselho de Fiscalização - numa eleição que requer uma maioria de dois terços na Assembleia da República e que, por isso, implica um acordo entre PSD e PS - foi analisada em reunião da bancada socialista esta semana. Um conjunto de deputados socialistas manifestaram-se contra o nome, e em particular por Teresa Morais ir acumular o cargo com o de vice-presidente do PSD.

Terá sido por isso que o líder parlamentar socialista argumentou que não poderia garantir a eleição da deputada. "O PS é um partido de palavra e não subscreveria uma candidatura para depois os deputados socialistas, no seu pleno exercício e com plena liberdade, não honrassem a sua assinatura". Carlos César fazia também uma crítica implícita ao facto de no ano passado, depois de ter sido fechado o acordo com o PSD para o socialista Correia de Campos assumir a presidência do Conselho Económico e Social (CES), ter sido chumbado numa primeira votação em plenário. O PSD só deixou passar o nome do antigo ministro da Saúde numa segunda votação. "Deixamos ser eleito para o CES um senhor que se especializou a dizer mal do PSD e agora vetam um nome, o dra. Teresa Morais sem qualquer argumento válido", frisa ao DN uma fonte social-democrata.

Outra fonte do PSD lembra que ainda recentemente o PSD deu o seu acordo à nomeação de José Júlio Pereira Gomes, diplomata de carreira, para secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).

E diz que falar de "perfil inadequado" no caso de Teresa Morais - quando se trata de uma ex-ministra e que até foi membro do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações entre 2004 e 2008, na altura em que era presidido pelo constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia-, só pode ser uma "pura embirração política".

Os sociais-democratas recordam que o PS nomeou duas figuras polémicas para dois órgãos do Estado, no caso António Gameiro para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Policial, quando já tinha sido condenado num processo em tribunal; e Ricardo Rodrigues para o Conselho de Fiscalização dos Tribunais Administrativos, depois do ex-deputado socialista ter estado envolvido na polémica dos gravadores tirados aos jornalistas da Sábado.

"Não é uma questão de gosto ou não gosto que pode levar a vetar uma pessoa e por isso o PSD vai com toda a certeza insistir no nome de Teresa Morais para o Conselho de Fiscalização".

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