PSD escolhe "vice" do Parlamento para liderar inquérito à Caixa

Matos Correia foi indicado pela bancada. Hugo Soares coordenará os sociais-democratas e PS escolheu João Paulo Correia

Começa a ganhar forma a comissão parlamentar de inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos (CGD). O PSD indicou ontem os deputados que vão fazer parte da investigação e anunciou também, segundo a Lusa, que José Matos Correia, coordenador do conselho estratégico do partido, vai presidir aos trabalhos.

Matos Correia, advogado e professor universitário de Direito, foi nesta legislatura eleito vice-presidente da Assembleia da República e até ao último Congresso do PSD, em abril, o antigo chefe de gabinete de Durão Barroso era também um dos vice-presidentes de Pedro Passos Coelho, que remodelou a sua direção - Pedro Pinto, Carlos Carreiras e o próprio Matos Correia "cederam" os lugares a Maria Luís Albuquerque, Sofia Galvão e Teresa Morais.

Em declarações ao DN, após ter sido indicado, Matos Correia diz que "enquanto futuro presidente da comissão de inquérito" e "para bem do prestígio do Parlamento" espera que a investigação "possa servir para aquilo a que se propõe", ou seja, avaliar "o processo de recapitalização" do banco do Estado e "a história da Caixa desde 2000" e as "envolvências" inerentes à gestão das várias administrações.

Sobre a controvérsia que marcou os dias anteriores à formalização da comissão - em que Ferro ameaçou pedir à Procuradoria-Geral da República um parecer sobre o objeto do inquérito proposto por PSD e CDS e com um chumbo da esquerda a uma auditoria externa independente à Caixa - o deputado evita polémicas.

"Tenho de manter uma posição institucional, exigível a um presidente de uma comissão de inquérito", assinala, vincando depois que não se vai "meter nesse tipo de questões", que "embora legítimas" se inserem na natural "disputa político-partidária".

Matos Correia começa já a ensaiar um discurso de pacificação para que os trabalhos decorram de forma "mais eficaz" e realça que contará "com todos os deputados", em particular os vice-presidentes, para que o Parlamento "saia dignificado e prestigiado" deste novo inquérito a uma instituição financeira - depois do BES na anterior sessão legislativa e do Banif, já nesta.

Ora, a bancada chefiada por Luís Montenegro aproveitou também para anunciar os seus membros da CPI, constituída de forma potestativa. Hugo Soares, vice-presidente da bancada e ex-líder da JSD, terá a seu cargo a coordenação do grupo "laranja", sendo secundado por Carlos Costa Neves, Adão Silva, Margarida Mano, Emídio Guerreiro e Margarida Balseiro Lopes. Como suplentes foram escolhidos Inês Domingos, António Leitão Amaro e Duarte Marques.

Do lado do PS, apurou o DN, a aposta para a coordenação recaiu sobre João Paulo Correia, "vice" da bancada e coordenador socialista na Comissão de Orçamento, Finanças. Acompanhá-lo-ão os deputados Paulo Trigo Pereira, Carlos Pereira, João Galamba, Santinho Pacheco, Sónia Fertuzinhos e Susana Amador, ao passo que Luís Moreira Testa, Tiago Barbosa Ribeiro e Sofia Araújo serão os suplentes.

Do BE chega a surpresa. Mariana Mortágua, figura de proa no inquérito ao BES e também escolhida para a investigação ao Banif, dá o lugar a Moisés Ferreira, passando a suplente, a par de Paulino Ascenção. Já no CDS, as escolhas repetem-se. João Almeida, porta-voz dos centristas, voltará a ser o membro efetivo, enquanto Cecília Meireles e António Carlos Monteiro serão os suplentes. O PCP ainda não fechou os nomes dos seus dois representantes, sendo expectável que o faça no início da próxima semana.

Recorde-se que na quinta-feira, o Presidente da República promulgou o controverso diploma sobre o estatuto do gestor público para evitar o "risco de paralisia" da Caixa, uma vez que a entrada em funções da administração presidida por António Domingues, fundamentou Marcelo Rebelo de Sousa, é "fundamental para arrancar o plano de reestruturação" do banco.

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.